Governador Renato Casagrande assina início da operação do Fundo Capixaba de Descarbonização em cerimônia no Palácio Anchieta: Metas de reduzir a zero emissão de carbono no ES até 2025. Crédito: Edu Kopernick
Governador Renato Casagrande assina início da operação do Fundo Capixaba de Descarbonização em cerimônia no Palácio Anchieta: Metas de reduzir a zero emissão de carbono no ES até 2025. Crédito: Edu Kopernick

Com aporte total de R$ 1 bilhão, formado por recursos públicos e privados, o Espírito Santo assinou nesta manhã, no Palácio Anchieta, o início da operação oficial do Fundo Capixaba de Descarbonização. A iniciativa é o instrumento central da estratégia estadual de enfrentamento às mudanças climáticas, na prática. “Mudanças climáticas têm muita conversa e pouco resultado. O Espírito Santo escolheu agir”, disse o governador Renato Casagrande na assinatura.

Na prática, o capital público atua como indutor da política climática, enquanto o capital privado fortalece a governança e a disciplina financeira. O gestor do fundo será do BTG Pactual Asset Management. De acordo com o sócio, Marcelo Fiorellini, a ideia é criar um ambiente favorável à participação do setor produtivo. “O capital público reduz o custo de financiamento, enquanto o capital privado garante governança e gestão de risco”.

Estruturado como um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC), o mecanismo financiará projetos por meio da aquisição de títulos emitidos por empresas com sede fiscal no Espírito Santo. Do mesmo modo, a governança prevê métricas ambientais claras e mecanismos de proteção ao capital público. “O BTG aporta capital subordinado, vindo antes do próprio Fundo Soberano, o que demonstra o nível de proteção da política pública”, complementou Fiorellini.

Setor produtivo preparado e metas a cumprir

Levantamentos técnicos indicam que o setor produtivo capixaba está preparado para acessar esse tipo de financiamento. Especialmente pequenas e médias empresas distribuídas por mais de 30 municípios. A expectativa é de investimentos no curto e médio prazo, conectados à modernização produtiva e à eficiência energética.

A estrutura financeira do Fundo combina capital público e privado, no modelo de financiamento misto. Do total previsto, R$ 500 milhões têm origem no Fundo Soberano do Espírito Santo, abastecido por royalties de petróleo e gás, enquanto a outra metade vem do mercado. Essa combinação permite ampliar escala, reduzir riscos bem como acelerar investimentos. “Usar recursos de origem fóssil para descarbonizar a economia é uma das maiores virtudes do Fundo Soberano”, destacou o presidente do Bandes, Marcelo Saintive.

A proposta posiciona o Espírito Santo entre os estados mais avançados do País na adoção de instrumentos financeiros para a agenda climática. Ao direcionar receitas não renováveis para a transição energética, o Estado consolida uma estratégia de desenvolvimento baseada em inovação e qualidade de vida. “Um estado pequeno precisa se diferenciar, e o nosso diferencial é qualidade de vida”, pontuou Casagrande.

Metas climáticas como estratégia de desenvolvimento

O fundo está diretamente conectado às metas climáticas do Estado, que preveem a redução de 27% das emissões até 2030 e a neutralidade de carbono até 2050. A base dessa estratégia é o Plano Estadual de Descarbonização, construído com visão de longo prazo. “Entregamos, em 2024, um plano de Estado – não de governo – com horizonte até 2050 e caminhos claros para a descarbonização”, disse o secretário de Estado do Meio Ambiente, Felipe Rigoni.

Os recursos do Fundo poderão apoiar projetos de energia renovável, tecnologias limpas para a indústria, eficiência energética, eletrificação logística, biocombustíveis, transportes de baixa emissão, reflorestamento, restauração ambiental, agricultura sustentável e gestão de resíduos. A lógica adotada evita a concentração em um único setor e busca impacto mensurável. O fundo prova que soluções de descarbonização podem ser economicamente viáveis e gerar retorno”, completou Rigoni.

Capital público e privado ampliam impacto

A adoção do modelo de blended finance é apontada como um dos principais diferenciais da iniciativa. Segundo Maria Netto, diretora executiva do Instituto Clima e Sociedade, “a combinação de capital público e privado para assumir diferentes riscos é uma inovação fundamental no Brasil”. Ou seja, permite destravar investimentos que dificilmente ocorreriam apenas com uma das fontes.

Ao estruturar um fundo de R$ 1 bilhão, com recursos públicos e privados, metas definidas e governança robusta, o Espírito Santo transforma a agenda climática em política de desenvolvimento econômico. “O fundo de descarbonização é uma inovação e um passo decisivo para transformar discurso em ação”, finalizou Casagrande.

Edu Kopernick

Editor de Economia

Edu Kopernick é jornalista formado na Faesa, especialista em Comunicação Organizacional pela Gama Filho, com experiência em reportagens especiais para veículos nacionais e séries sobre economia do Espírito Santo. Já teve passagens pelos principais veículos de TV, rádio e webjornalismo do Estado. É editor de Economia do Folha Vitória desde 2024, apresentador de TV e host do videocast ValorES.

Edu Kopernick é jornalista formado na Faesa, especialista em Comunicação Organizacional pela Gama Filho, com experiência em reportagens especiais para veículos nacionais e séries sobre economia do Espírito Santo. Já teve passagens pelos principais veículos de TV, rádio e webjornalismo do Estado. É editor de Economia do Folha Vitória desde 2024, apresentador de TV e host do videocast ValorES.