
Vila Velha chega a 2026 com o mercado imobiliário em clima de expectativa. O município discute o novo Plano Diretor Municipal (PDM) com muita gente de olho nas regras do jogo para empreender no setor. Segundo lideranças do mercado, a projeção é ter cerca de R$ 2,5 bilhões em valor geral de vendas (VGV) apenas no município neste ano. Serão mais de 3 mil unidades à venda. O número se apoia em um cenário mais favorável, com perspectiva de queda da taxa de juros para financiamentos – hoje em torno de 15% ao ano, com possibilidade de chegar a 12% ou até 11,5% até o fim do ano – e em um ciclo que os empresários classificam como o melhor dos últimos dez anos para o setor imobiliário.
O crescimento, porém, traz um desafio claro: Vila Velha precisa verticalizar. A avaliação do mercado é que a cidade não comporta mais a expansão horizontal. O modelo que o Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado do Espírito Santo (Sinduscon-ES), Associação Empresas do Mercado Imobiliário do Espírito Santo (Ademi-ES) e Associação dos empresários de Vila Velha (Assevila) defendem não é de prédios extremamente altos.
A ideia é promover um adensamento racional, com edifícios entre 20 e 25 andares. Nesse sentido, eles seriam capazes de gerar escala, reduzir custos bem como manter preços mais viáveis para o comprador. Empreendimentos isolados de 50 andares existem, mas são vistos como exceção, não como padrão para a cidade.
“O que precisamos é discutir um projeto de cidade. E encaixar as definições do PDM dentro desse projeto”, disse o presidente da Ademi-ES, Alexandre Schubert.
PDM pode avançar mais
Apesar dos avanços do novo Plano Diretor Municipal (PDM), o setor produtivo avalia que o texto que se configura melhora a situação atual, porém ainda está longe do ideal. Há críticas ao excesso de artigos e à falta de clareza, o que pode gerar conflitos de interpretação.
Como comparação, o caso da Serra é exemplo. Nesse sentido, a cidade teve a redução do plano, que tinha quase 400 artigos e passou a 71. Ou seja, isso torna a legislação mais objetiva e fácil de aplicar. Em Vila Velha, a percepção é de que essa oportunidade foi parcialmente perdida.
“Sugerimos a redução no número de artigos porque, muitas vezes eles geram incerteza, insegurança jurídica para lançar empreendimentos. Isso gera custo elevado e atrapalha o desenvolvimento de projetos”, pontuou Douglas Vaz, presidente do Sinduscon-ES.
Eixo da ES-388: Cobiçada área para empresas
Um dos pontos mais estratégicos do debate do PDM está na região próxima à rodovia ES-388, a Região 5 de Vila Velha. Hoje tem classificação de área rural. O setor produtivo defende que esse território seja preparado para receber indústrias e galpões logísticos. É para onde Vila Velha pode crescer e se desenvolver. Nesse sentido, a região aproveita a conexão com a BR-101 e a proximidade do sistema portuário. A avaliação é que a cidade vem perdendo investimentos para municípios como Serra, Cariacica e Viana, justamente por não oferecer áreas bem estruturadas para esse tipo de atividade.
“Essas cidades estão mais preparadas. Construíram legislações que favorecem a instalação de empresas. Isso faz toda diferença”, analisa Éder Lemke, diretor financeiro da Assevila.
Só na Região 5, considerada subutilizada, há estimativas de áreas individuais com até 15 milhões de metros quadrados, além de propriedades únicas com mais de 1 milhão de metros quadrados ou mais. Transformar parte desse território em área empresarial poderia reduzir deslocamentos, diminuir custos logísticos bem como manter empregos e arrecadação dentro do próprio município.