
O mês de janeiro é marcado pelo esforço de mães e pais para fazer caber no orçamento a lista de materiais escolares dos filhos. Em grupos de WhatsApp, a compra e venda de materiais escolares usados, como livros, uniformes e mochilas, têm se tornado uma alternativa cada vez mais comum para economizar no início do ano letivo.
A estudante de Biomedicina Raquel Torres tem dois filhos em uma escola na Serra e entende muito bem a importância de reaproveitar alguns produtos para diminuir o impacto no orçamento da família.
Pensando na economia que a venda e a troca de materiais escolares usados poderia trazer aos pais e responsáveis, ela criou três grupos de WhatsApp. Um deles tem mais de 500 membros.

“Eu sentia uma dificuldade porque todo ano tinha que comprar livros literários, que são aqueles livrinhos que eles leem durante o ano. Eu comprava os livros, mas começamos a acumular muita coisa em casa. Senti a necessidade de começar a trocar esses livros. Eu percebi que, se minha filha está indo para o quinto ano do ensino fundamental, os livros do quarto ano eu posso negociar com a mãe que vai entrar agora e que não tem o livro, e ela negocia o dela, né? E assim sucessivamente. E eu criei o grupo”, contou Raquel.
“Economia gigantesca”, diz administradora de grupos
Raquel contou que houve uma grande aceitação do grupo de livros literários. A partir daí, as mães começaram a trocar e vender também uniformes e, para organizar o fluxo de postagens, ela criou um grupo exclusivo para anúncios de uniformes. Depois, veio um terceiro grupo, onde são anunciados itens em geral, como mochilas, por exemplo.

“É uma troca muito boa. No meu caso mesmo, que tenho duas crianças, é uma economia gigantesca, porque se você vai pagar num livro 70 reais e eu comprar por 45, eu já tive aí uma economia de 25 reais. Às vezes você pode pensar que é uma economia pouca, mas para quem tem dois, três filhos na mesma escola, qualquer coisinha já ajuda, porque realmente está tudo muito caro”, analisou.
A coordenadora de vendas Grazielly Caldonho participa de um desses grupos. Ela contou que já utilizou o espaço para comprar e vender livros e uniformes. A mãe acredita que a economia feita com essas transações faz toda a diferença.
“No ano passado eu comprei no grupo o uniforme do meu filho, este ano estou vendendo. Vendi a bermuda a 25 reais. Essa peça nova na loja custa 70 reais. Então é uma boa economia”, relatou.
Raquel destacou que a escola não tem vínculo com os grupos, que funcionam de forma independente.

Grupos potencializam mecanismos de cooperação, diz economista
O economista Wallace Millis certifica que as trocas e vendas de materiais em grupos de WhatsApp são uma boa alternativa para as famílias economizarem.
“Grupos de WhatsApp e outras redes sociais garantem prova social, validando materiais, marcas e estabelecimentos, criam também escalas de compras, aumentam o poder de barganha das famílias, compartilham informações sobre oferta de preços e promoções, além de potencializar mecanismos de solidariedade e cooperação com doações e reutilização de materiais”, analisou.