Foto: Freepik
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*Artigo escrito por José Mauro Rocha de Barros, diretor regional da Associação Brasileira dos Mentores de Negócios, sócio fundador da Sociedade Yotta. Conselheiro consultivo, membro do Comitê Ibef Agro e do Comitê Qualificado de Conteúdo de Empreendedorismo e Gestão de 2025 do Ibef-ES.

Durante décadas, envelhecer foi sinônimo de despedida do mundo produtivo. Mas uma revolução silenciosa está em movimento e chegou a hora de dar nome a ela.

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Homens e mulheres acima dos 60 anos de idade estão fundando empresas, liderando times, financiando ideias e mentorando startups. Não se trata de “voltar” ao mercado. Na verdade, muitos sequer saíram dele. Trata-se de reivindicar protagonismo em uma economia que ainda insiste em subestimá-los. 

No Reino Unido, a taxa de emprego entre pessoas com mais de 65 anos saltou de 26,9% em 2014 para 40,4% em 2024. Nos Estados Unidos, o grupo de 55 a 64 anos responde por 25% dos novos empreendimentos, quase o dobro do índice de 1996, segundo a Kauffman Foundation, reconhecido instituto de pesquisa norte americano dedicado ao empreendedorismo sênior.

No Brasil, mesmo sem dados sistemáticos, o avanço é visível: de consultorias a micro franquias, de agronegócios a serviços especializados, os “empreendedores prateados” começam a romper o silêncio estatístico que os invisibiliza. 

Ao avaliar o que eles buscam, verificam-se que é mais do que renda: buscam relevância profissional, reinvenção pessoal e autonomia. Têm maturidade emocional, capital social e uma visão de mundo construída em meio a crises.

Mas enfrentam barreiras reais: ageísmo velado, exclusão digital, crédito inacessível. Faltam trilhas de capacitação (upskilling e reskilling), redes de mentoria intergeracional e políticas públicas com intencionalidade de enfrentar o tema. 

Diversidade etária como estratégia econômica

Estudos recentes da London School of Economics (GENERATIONS: Unlocking the Productivity Potential of a Multigenerational Workforce”, 2024) mostram que equipe multigeracionais são mais produtivas, resilientes e criativas.

Reunir juventude e senioridade não é caridade mas sim estratégia. É a adoção, na prática, do conceito de diversidade. E isso vale ainda mais para economias como a do Espírito Santo, onde cidades como Linhares, São Mateus e Cachoeiro têm talentos sêniores, tradição produtiva e espaço para inovação. Verifica-se a falta de orquestração política e empresarial e visão de longo prazo. 

Envelhecer é dado biológico. Porém, tornar-se irrelevante, não o é. Assim, empreender após os 60 anos de idade não é exceção.

A pergunta a ser feita não é “será que ainda dá tempo?”. Deve-se perguntar “por que ainda estamos demorando tanto tempo para perceber essa nova realidade“. 

Este texto expressa a opinião do autor e não traduz, necessariamente, a opinião do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Espírito Santo.

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