
*Artigo escrito por Yuri Porto Nico, sócio e COO da Bbutton Ventures, líder do Comitê qualificado de conteúdo de inovação e tecnologia de 2025 do Ibef-ES.
A escassez de mão de obra no Espírito Santo é um dos principais desafios para os próximos anos. No Plano ES 500 Anos, o problema é descrito como um “apagão de mão de obra”, evidenciando a dificuldade em encontrar profissionais qualificados.
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O plano alerta que esse cenário tende a se agravar com a complexificação da economia capixaba e o avanço tecnológico esperado. A força de trabalho atual não está preparada nem para o presente, muito menos para os desafios do futuro.
Os dados confirmam esse diagnóstico. O estado atingiu recentemente a menor taxa de desocupação desde o início da série histórica do IBGE, em 2012. Em paralelo, uma pesquisa nacional revela que 66% dos jovens brasileiros não possuem as habilidades mínimas para ter sucesso no mercado.
Isso justifica a percepção das empresas quanto à dificuldade de contratar: há uma alta inadequação da mão de obra disponível.
O Brasil como early adopter de IA
Por outro lado, o Brasil surpreende positivamente no cenário global de inovação. O país é o quarto do mundo em uso do ChatGPT, com uso per capita semelhante ao dos Estados Unidos. Esse comportamento de “early adopter” do brasileiro, especialmente em tecnologias digitais, tem sido tratado como um diferencial no mercado global.
O país vive uma janela rara: pela primeira vez, países em desenvolvimento estão entre os primeiros a adotar uma tecnologia de ruptura. Ao contrário de ondas anteriores, como a dos computadores pessoais, da internet ou dos smartphones, agora a América Latina lidera a aplicação da tecnologia mais transformadora desde a eletricidade: a inteligência artificial(IA).
Mas esse entusiasmo precisa vir acompanhado de pragmatismo. De nada adianta liderar em uso se apenas 13% das empresas operam com processos estruturados de IA. Segundo a pesquisa TIC Empresas, a maioria ainda utiliza a inteligência artificial de forma pontual, em processos administrativos como assistentes pessoais, e desconectada dos reais gargalos de negócio.
Para que o uso da IA seja, de fato, um diferencial competitivo no cenário mundial, é preciso aplicá-la no core business.
IA no core business como diferencial competitivo
O Brasil não lidera o desenvolvimento de tecnologias de fronteira, mas é reconhecido pela aplicação criativa dessas inovações nos negócios. Para que a aplicação da IA gere valor real nos negócios, é fundamental investir em ensino profissionalizante e aproximar a academia das demandas do mercado.
No Espírito Santo, o desafio da escassez de mão de obra é ainda mais crítico. Além de requalificar profissionais, é preciso atrair novos talentos e garantir educação básica de qualidade para evitar que o problema se agrave no futuro.
Além dessas soluções, o Plano ES 500 Anos define seis objetivos para que o estado alcance a visão de futuro de se tornar um polo de competências.
O passo decisivo será converter essas diretrizes em políticas e ações concretas. Preparar a força de trabalho para ocupar os postos que a inovação criará é a chave para garantir o crescimento sustentável da nova economia capixaba.
Este texto expressa a opinião do autor e não traduz, necessariamente, a opinião do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Espírito Santo.