Enseada do Suá
Vista para a 3ª ponte da Enseada do Suá, em Vitória. Foto: Thiago Soares/Folha Vitória

*Artigo escrito por Sandro Ronaldo Rizzato, advogado empresarial e membro do Comitê Qualificado de Conteúdo de Inovação e Tecnologia de 2025 do Ibef-ES.

Durante décadas, o Espírito Santo foi o coadjuvante mudo do Brasil. Estava no mapa, mas quase sempre fora da conversa. Quando lembravam, era para confundir com Vitória da Conquista, perguntar se “a capital é Guarapari” ou perguntar se aqui todo mundo só vive de moqueca.

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Se fosse conto de fadas, seríamos o patinho feio que, no final, não virava cisne, mas sim virava almoço de domingo com farofa. Mas a história mudou: o patinho criou asas e agora voa como beija-flor, pequeno, rápido, certeiro e impossível de ignorar.

A história do ES é marcada por ser pequeno, discreto, eclipsado por vizinhos com mais holofote e menos pudor. É verdade que o Estado não tem o Cristo Redentor, o Mineirão ou praias com marketing de novela das nove.

O Espirito Santo tem portos que movimentam bilhões, agro pujante e um PIB robusto com um ecossistema de inovação que está começando a desmontar, pena por pena, o mito do estado invisível. Como o beija-flor, o ES não precisa ser grande para chegar rápido, escolher a flor certa e extrair o que interessa.

Planejamento como diferencial competitivo

Nos últimos anos, o Espírito Santo trocou o “quem sabe um dia” pelo “estamos prontos, e quem não quiser, azar”. Criou a Agência Investe-ES, para vender o estado com a pontaria de quem não perde tempo em flor murcha.

Fortaleceu o Fundo Soberano, garantindo reserva para o futuro, luxo num país que acha que planejamento é escolher o destino do próximo feriado prolongado. E bateu recorde histórico: mais de R$ 200 milhões em ciência, tecnologia e inovação só no primeiro semestre de 2025.

E não ficou na vitrine de promessas. O Estado está erguendo um parque tecnológico, tem a Lume Robotics fazendo caminhões autônomos rodarem em Aracruz, a AEVO exportando gestão de inovação para empresas Brasil afora, e eventos como ESX 2025 e InovaES que transformam Vitória, por alguns dias, em capital nacional da criatividade.

Nesse sentido, como o beija-flor, o ES pode pousar em diferentes jardins, tecnologia, logística, indústria criativa, turismo, sem perder a energia nem o ritmo frenético das asas, com capacidade de visitar centenas de flores por dia sem perder o fôlego.

O risco de voar baixo depois de ganhar altura

O desafio agora é não perder a altitude. Inovar exige mais que discursos motivacionais, cortes de fita e selfies com drone ao fundo. Pede talento, capital público e privado e um pacto real entre academia, empresas e governo.

Sem isso, o ES corre o risco de trocar o voo rápido por asas cansadas batendo no mesmo lugar, e aí o lago raso volta a parecer confortável para quem não sabe voar. Afinal, pato faz muitas coisas e mal feito: anda desengonçado, voa mal e nada pior ainda.

O Espírito Santo é, hoje, o beija-flor da federação: pequeno no tamanho, gigante na entrega, veloz no ataque e preciso na escolha. E se o resto do Brasil continuar fingindo que não vê, problema deles.

Porque, dessa vez, quando perguntarem “onde fica mesmo o Espírito Santo?”, a resposta vai ser simples: “No alto, e passando rápido demais para você acompanhar”.

Este texto expressa a opinião do autor e não traduz, necessariamente, a opinião do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Espírito Santo.

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