
*Artigo escrito por José Mauro Rocha de Barros, diretor regional da Associação Brasileira dos Mentores de Negócios. Sócio fundador da Sociedade Yotta, conselheiro consultivo. Membro do Comitê Ibef Agro e do Comitê Qualificado de Conteúdo de Empreendedorismo e Gestão de 2025 do Ibef-ES.
A liderança empresarial está passando por uma transição irreversível. Se antes a essência do papel se caracterizava por decidir, delegar e controlar, hoje os algoritmos assumem parte dessas funções.
Plataformas como a da Amazon já automatizam decisões há décadas, deixando aos humanos apenas os desvios críticos. Isso exige um perfil de líder distinto: menos centrado na operação, mais capaz de enxergar padrões externos, criar pontes com o futuro e selecionar talentos que sustentem inovação contínua.
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Nesse sentido, uma competência a dominar é o Futuring, ou seja, como os líderes podem pensar como futuristas, não para prever o que está por vir, mas para se preparar com confiança e criatividade.
Nesse cenário, a liderança não pode ser reduzida a carisma ou experiência acumulada. O diferencial está na capacidade de trabalhar a partir do futuro e caminhar na direção do presente: visualizar futuros possíveis, preferíveis e desejáveis, e, a partir daí, construir trajetórias concretas.
Esse exercício de construção de cenários futuros, isto é, a prática estruturada de explorar diferentes possibilidades, permite transformar a incerteza em vantagem competitiva.
Métodos como “Cone do Futuro”, “Sinais Fracos no Horizonte”, “Tendências”, “Análise de Camadas Causais (CLA)” e “Drives” demonstram que decisões sólidas não surgem apenas de dados, mas da compreensão das narrativas invisíveis que moldam culturas e estratégias. Ao questionar pressupostos, metáforas e crenças, abre-se espaço para inovação genuína e engajamento mais profundo das equipes.
As três dimensões inegociáveis da liderança contemporânea
Três dimensões tornam-se inegociáveis nas corporações contemporâneas: inovação, produtividade de custos e pipeline de liderança. Sem esses elementos, as empresas não apenas perdem competitividade, mas tornam-se vulneráveis a disrupções ao longo do tempo.
A construção de líderes preparados, estruturados em times diversos e multigeracionais, é o alicerce dessa agenda.
O desafio não é apenas mapear sinais fracos do que virá, mas perguntar: que futuro merece ser construído? Quais práticas de hoje precisam ser descontinuadas para liberar espaço para novos modelos?
Ao adotar ferramentas de prospecção de longo prazo, alinhar valores, incorporar o futuro na cultura da empresa, estabelecer uma estratégia e mobilizar a imaginação coletiva, as organizações passam a moldar ativamente o amanhã e construí-lo no dia a dia, intencionalmente.
Liderar, nesse contexto, é menos sobre responder ao presente e mais sobre criar futuros viáveis, sustentáveis e inspiradores.
Este texto expressa a opinião do autor e não traduz, necessariamente, a opinião do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Espírito Santo.