Foto: Freepik
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*Artigo escrito por Juliana Frasson, empreendedora e consultora empresarial como foco em gestão estratégica, liderança e inclusão. Especialista em neurodiversidade. Membro do Comitê Qualificado de Conteúdo de Empreendedorismo e Gestão de 2025 do Ibef-ES.

A saúde mental tem se tornado um dos temas mais urgentes no ambiente corporativo. Entre os transtornos que mais afetam a produtividade e a qualidade de vida dos profissionais, a depressão ocupa lugar de destaque.

Longe de ser apenas uma “tristeza passageira”, ela é uma condição clínica que pode impactar o desempenho, a motivação e até mesmo as relações interpessoais no trabalho.

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Nesse cenário, o papel do líder vai muito além da gestão de tarefas: trata-se também de um agente fundamental de apoio humano e de criação de um ambiente seguro.

Um colaborador em quadro depressivo, muitas vezes, enfrenta dificuldades em verbalizar seu estado emocional, especialmente se a empresa não aborda de forma segura o assunto.

Pode demonstrar sinais como queda no rendimento, absenteísmo, isolamento, falta de energia e até irritabilidade. Cabe ao líder estar atento a essas mudanças de comportamento sem cair no erro de julgamentos precipitados.

O primeiro passo é desenvolver a escuta ativa e empática. Um líder que demonstra genuíno interesse pelo bem-estar da sua equipe abre espaço para que o colaborador se sinta acolhido e possa compartilhar suas dificuldades.

Construir um ambiente de confiança e respeito

Outro aspecto essencial é criar uma cultura de confiança. O colaborador precisa sentir que pode falar sobre suas limitações sem medo de retaliações ou estigmas.

O líder pode contribuir evitando comentários que minimizem a condição — como ‘isso é frescura’ ou ‘você precisa ser mais forte’ — e, em vez disso, adotando uma postura compreensiva, dizendo, por exemplo: ‘Percebi que você não está bem. Quer conversar sobre isso?

Além do apoio individual, é responsabilidade da liderança estruturar, junto com o RH, estratégias de acolhimento. Isso pode incluir encaminhamento ao programa de assistência psicológica da empresa, flexibilização temporária de prazos e rotinas, ou até ajustes de carga de trabalho.

Pequenos gestos de consideração fazem diferença, pois mostram que a organização valoriza o ser humano antes do resultado.

Prevenção começa no dia a dia

O líder também exerce forte influência na prevenção. Ao estimular pausas, promover equilíbrio entre vida pessoal e profissional, respeitar horários de descanso e incentivar práticas de autocuidado, cria-se um ambiente menos propenso ao adoecimento emocional.

Empresas que têm líderes conscientes conseguem reduzir afastamentos por questões de saúde mental e fortalecem a percepção de que o trabalho pode ser um espaço de apoio, e não apenas de cobrança.

É importante ressaltar que o líder não substitui o papel de um profissional de saúde. Ele não deve diagnosticar ou oferecer tratamento, mas sim ser um elo entre o colaborador e a rede de apoio disponível, dentro e fora da empresa. Ter clareza desse limite evita frustrações e garante que a ajuda seja realmente efetiva.

No fim, apoiar um colaborador em depressão é um exercício de humanidade. Liderar não é apenas conduzir processos ou metas, mas também reconhecer a vulnerabilidade que todos, inegavelmente, carregamos.

Um líder que oferece suporte em momentos difíceis não apenas ajuda o indivíduo a enfrentar sua condição, mas fortalece a confiança e a cultura da empresa como um todo. Afinal, equipes que se sentem cuidadas tendem a ser mais engajadas, produtivas e leais.

A depressão é um desafio complexo, mas o olhar atento e a postura solidária do líder podem fazer toda a diferença. Em muitos casos, esse apoio representa o ponto de virada para que o colaborador retome sua autoconfiança e seu propósito — e, acima de tudo, se sinta valorizado como pessoa.

Este texto expressa a opinião do autor e não traduz, necessariamente, a opinião do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Espírito Santo.

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