
*Artigo escrito por Yuri Porto Nico, sócio e COO da Bbutton Ventures, líder do Comitê Qualificado de conteúdo de inovação e tecnologia de 2025 do Ibef-ES.
A democratização da inteligência artificial (IA) está transformando a forma como se interage com a tecnologia. Antes restrita a pesquisadores e grandes empresas, hoje está presente em redes sociais, bancos e nas pesquisas feitas em qualquer navegador.
Nesse cenário, a tendência é que a IA atue como agente pessoal, acessando aplicativos e realizando tarefas por texto ou voz.
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Se isso se confirmar, grande parte da experiência do usuário construída pelas empresas nos últimos 20 anos pode se tornar secundária no processo de compra.
A recomendação feita pelos agentes de IA tende a ser o principal fator de decisão, até mais relevante que os canais atuais de venda e comunicação com o cliente.
As empresas estão prontas para esse futuro?
As empresas estão se preparando para esse cenário? Ao menos mapearam a possibilidade de ele acontecer? E sabem como incluir tantas incertezas no planejamento estratégico dos próximos anos?
O planejamento tradicional baseia-se em previsões (forecast) e histórico, úteis em contextos estáveis e de baixa complexidade, como a produção de uma indústria ou a operação de uma área comercial.
Porém, no planejamento estratégico, o número de variáveis torna inviável prever. Eventos como a pandemia, conflitos internacionais ou mudanças abruptas de regras comerciais, como a recente taxação imposta pelo governo americano, mostram que a previsibilidade pode ser ilusória.
Previsões oferecem conforto psicológico aos gestores, mas, em um mundo cada vez mais incerto, essa segurança é uma falácia.
Foresight: planejando para o que ainda não é visível
É nessa lacuna que entra um tipo de planejamento, ainda pouco utilizado pelas empresas, o foresight. Enquanto forecast prende o planejador no cenário provável. O foresight permite explorar futuros ainda não visíveis e identificar oportunidades que só existem nos cenários que se consegue imaginar.
O planejamento baseado em histórico funciona no campo do “eu sei que sei” e, parcialmente, no “eu sei que não sei”. No “eu não sei que não sei”, ele falha.
Nesse sentido, o planejamento do tipo foresight se diferencia nesse espaço, preparando para o improvável e protegendo contra o futuro criado por concorrentes ou agentes com interesses divergentes dos seus.
A OpenAI, criadora do ChatGPT, quebrou o paradigma de enxergar a IA apenas como ferramenta de automação interna, ao antecipar a transição para interfaces conversacionais como novo modelo de interação entre humanos e máquinas.
Assim, posicionou-se na vanguarda, criando produtos que moldaram o comportamento do mercado antes mesmo de ele estar pronto para essa mudança.
Do planejamento reativo à criação de futuros
O método de Planejamento Estratégico adotado hoje, em que se consideram um ou poucos cenários prováveis e se reage às mudanças impostas pelo ambiente externo, já não é suficiente.
O planejamento estratégico deveria ser o momento de criar visões de futuro, decidir onde se quer estar e traçar o caminho para chegar lá.
Para que isso aconteça, é preciso incorporar o foresight à estratégia, criando futuros em vez de apenas reagir a eles. Como disse Peter Drucker: “A melhor forma de prever o futuro é criá-lo”.
Este texto expressa a opinião do autor e não traduz, necessariamente, a opinião do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Espírito Santo.