
*Artigo escrito por Eliomar Bufon Lube, advogado empresarial, especialista em operações de M&A e membro do Comitê Qualificado de Conteúdo de ESG de 2025 do Ibef-ES.
A pauta ESG deixou de ser apenas um adorno reputacional para consolidar-se como um elemento central na estratégia empresarial e na formação de valor de mercado.
Nos últimos anos, investidores, credores e consumidores passaram a considerar indicadores ESG não apenas como demonstrações de responsabilidade corporativa, mas como sinais concretos de solidez, resiliência e capacidade de geração de resultados sustentáveis.
A adoção consistente de práticas ESG está associada a ganhos econômicos palpáveis. Esses ganhos se materializam, por exemplo, na redução do custo de financiamento, no fortalecimento do controle interno e no estímulo à inovação em tecnologias limpas.
Empresas que internalizam a gestão de riscos socioambientais demonstram maior eficiência operacional, atraem capital paciente e ampliam seu acesso a linhas de crédito em condições mais competitivas.
ESG e criação de valor em fusões e aquisições
O fenômeno não se restringe a negócios tradicionais. Análises envolvendo 41 países e 12 setores revelam que operações de fusões e aquisições (M&A) frequentemente impulsionam a performance ESG das empresas adquiridas. Sobretudo no exercício seguinte à transação.
Essa melhora decorre tanto de sinergias gerenciais quanto da pressão exercida por stakeholders para integrar padrões mais elevados de governança e sustentabilidade.
Ainda assim, a sensibilidade ao impacto do ESG varia. Organizações privadas, sediadas em regiões menos dependentes de recursos naturais e lideradas por executivos com experiência internacional, tendem a capturar mais rapidamente os benefícios dessas práticas.
Esse recorte reforça que a incorporação do ESG requer alinhamento entre cultura organizacional, contexto econômico e competências de liderança.
Sustentabilidade como critério de competitividade
Mais do que atender a exigências regulatórias ou a pressões de imagem, investir em ESG é responder a uma nova lógica de mercado. Os ativos intangíveis, como credibilidade, ética e impacto social, estão diretamente conectados à precificação financeira.
Ignorar essa tendência pode significar elevação do custo de capital, restrições no acesso a financiamentos e exclusão de mercados cada vez mais seletivos. Em contrapartida, empresas que tratam o ESG como pilar estratégico fortalecem sua resiliência, conquistam legitimidade perante seus públicos e ampliam sua competitividade.
A convergência entre valor econômico e valor socioambiental já não é mais um horizonte distante. É uma realidade mensurável, incorporada ao balanço e avaliada pelo mercado.
Este texto expressa a opinião do autor e não traduz, necessariamente, a opinião do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Espírito Santo.