Foto: Freepik
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*Artigo escrito por Eliomar Bufon Lube, advogado empresarial, especialista em operações de M&A e membro do Comitê Qualificado de Conteúdo de ESG de 2025 do Ibef-ES.

A aceleração da transição energética global vem alterando significativamente a forma como o mercado avalia empresas e como estas estruturam seu capital. Deixou de ser apenas uma pauta ambiental e tornou-se um fator determinante para competitividade, acesso a investimentos e percepção de risco.

Companhias que lideram projetos voltados à descarbonização, adoção de energias renováveis e eficiência energética tendem a alcançar uma valorização acima da média de mercado.

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Esse efeito é estimulado pelo interesse de fundos de investimento e investidores institucionais que priorizam portfólios alinhados a uma economia de baixo carbono. Associando essa estratégia a maior resiliência e menor exposição a riscos regulatórios e reputacionais.

Recuperação de valor para empresas em adaptação

Ao mesmo tempo, empresas que estavam defasadas em relação a essa agenda podem reduzir sua defasagem de valor ao implementar políticas e tecnologias voltadas para energia limpa.

O descompasso entre o preço de mercado e o valor intrínseco, nesse contexto, não é puramente especulativo. A redução de custos operacionais por meio de eficiência energética, a possibilidade de acesso a incentivos governamentais e a antecipação a exigências regulatórias reforçam a percepção positiva dos investidores.

Na prática, empresas beneficiadas por valorização associada à transição energética podem optar por financiar novos projetos por meio de emissão de ações. Minimizando a necessidade de endividamento e aproveitando condições favoráveis de mercado, alinhadas à teoria do market timing.

Ainda assim, a relação entre transição energética e estrutura de capital não é uniforme. Setores como energia, transporte e indústria pesada sentem de forma mais intensa essa transformação. Além disso, a governança corporativa se torna essencial para garantir que os compromissos assumidos tenham cumprimento de forma transparente e mensurável.

Portanto, gestores e investidores devem enxergar a transição energética não apenas como uma exigência ambiental, mas como uma estratégia de geração de valor, redução de riscos e fortalecimento do posicionamento competitivo.

O desafio está em separar iniciativas efetivas de marketing verde das mudanças estruturais capazes de sustentar resultados no longo prazo.

Este texto expressa a opinião do autor e não traduz, necessariamente, a opinião do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Espírito Santo.

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