
O Espírito Santo vive um daqueles momentos em que o futuro começa a tomar forma no presente. Grandes projetos ganham corpo, investimentos avançam e movimentos estruturantes passam a redesenhar a economia do estado. Portos, logística, indústria e serviços mais sofisticados ampliam oportunidades e colocam o ES em uma posição cada vez mais estratégica no cenário nacional.
Mas há uma pergunta que precisa ser feita e não pode ser ignorada: temos pessoas preparadas para sustentar esse crescimento?
A experiência mostra que desenvolvimento econômico não se constrói apenas com infraestrutura, incentivos fiscais ou localização privilegiada. Esses fatores são importantes, mas insuficientes. O que sustenta o crescimento no médio e longo prazo é gente qualificada, preparada para operar, gerir, decidir e evoluir junto com ambientes cada vez mais complexos.
Iniciativas estruturantes, como o Parklog, ajudam a ilustrar bem esse cenário. Elas demonstram o potencial de integração logística, atração de investimentos e reorganização dos fluxos produtivos. Ao mesmo tempo, escancaram um desafio recorrente: a dificuldade de encontrar profissionais com formação técnica, comportamental e contextual alinhadas às exigências do novo mercado. Não se trata de falta de talento, mas de uma formação que, muitas vezes, ainda caminha desconectada da realidade do trabalho.
Hoje, o mercado não busca apenas diplomas. Busca profissionais capazes de entender processos, operar com segurança, trabalhar sob pressão, tomar decisões no tempo certo e compreender o impacto do seu papel dentro de uma cadeia maior. Falta, em muitos casos, a ponte entre o conhecimento técnico e a prática. Falta maturidade profissional, leitura de contexto e preparo comportamental para ambientes que exigem disciplina, responsabilidade e capacidade constante de adaptação.
A qualificação que o Espírito Santo precisa vai além do ensino tradicional. Ela passa por cursos técnicos aplicados, sim, mas também por experiências práticas, aprendizagem contínua e desenvolvimento de habilidades humanas. Comunicação, colaboração, senso de dono, ética, inteligência emocional e capacidade de aprender e reaprender deixaram de ser diferenciais tornaram-se requisitos básicos.
Para as empresas, o desafio é claro: olhar para a formação de pessoas como investimento estratégico, e não como custo. Para as instituições de ensino e formação, o convite é se aproximar ainda mais da realidade do mercado, preparando profissionais para o presente e para o futuro não para um mundo que já ficou para trás. E para os profissionais, talvez o maior movimento seja assumir o protagonismo da própria carreira, entendendo que empregabilidade hoje se constrói todos os dias.
O Espírito Santo tem vocação, localização privilegiada e projetos capazes de impulsionar seu desenvolvimento por décadas. Mas o que vai determinar se esse crescimento será sustentável, competitivo e inclusivo é a capacidade de formar pessoas à altura desse futuro.
Infraestrutura move cargas.
Qualificação move resultados.
E, no fim das contas, são as pessoas que transformam potencial em valor.