Abr 2021
29
Vinicius Torres
MERCADO DIÁRIO

porVinicius Torres

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Vinicius Torres
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porVinicius Torres

Brasil e o grau de investimento

O Brasil perdeu o selo de bom pagador da Standard & Poor’s (S&P) em setembro de 2015, seguida pela Fitch em dezembro de 2015, e Moody’ s em fevereiro de 2016. Estas são as três principais agências de classificação de risco que cobrem o país. Mas o que significa este “selo de bom pagador”? As agências de rating definem o risco de crédito dos países, atribuindo uma nota. Quando esta varia entre AAA/Aaa e BBB-/Baa3, tem-se que o país possui grau de investimento (investment grade). Por outro lado, as notas menores do que BBB- são consideradas como de grau especulativo (speculative grade).

Essas perspectivas são definidas com base em controle fiscal, crescimento econômico e estabilização da dívida pública, além de um bom ambiente regulatório e econômico, que tende a beneficiar o ambiente de negócios.

Assim, com um rating melhor, os investidores tendem a investir mais no país, assim como aceitar juros menores como remuneração para a compra de títulos do Tesouro. Mas não apenas isso: há fundos de investimentos específicos que obrigatoriamente apenas podem investir em países que possuem determinado grau de investimento, como é o caso de fundos de pensão. A consequência é que países com grau especulativo tendem a perder investidores, o que prejudica o seu mercado.

Vale ressaltar que o Brasil adquiriu o selo de bom pagador pela primeira vez em 2008, também conferido primeiro pela Standard & Poor’s, e seguido por Fitch e Moody’s. Atualmente, a Moody’s atribui rating “Ba2” para o Brasil, e com perspectiva estável. Por fim, tanto S&P quanto Fitch atribuem nota “BB-” para o país, estando três níveis abaixo do nível mínimo para grau de investimento.

Um dos fatores que contribuem para este cenário negativo é a trajetória da dívida. Desde 2013, quando a Dívida Bruta do Governo Geral estava em 51,5%, esta vem crescendo continuamente, chegando a até o máximo de 89,3% em 2020. Além disso, movimentos recentes das agências têm sinalizado preocupação com a agenda fiscal brasileira.

Impacto no fluxo de investidores

Após receber o grau de investimento em 2008 até 2015, os aportes líquidos de investidores estrangeiros no Brasil acumulados foram de R$ 188,1 bilhões, um média de R$ 47 bilhões por ano. Mas, com a piora da situação fiscal, houve a perda do grau de investimento. Então, de 2016 até 2020, o valor acumulado por meio da entrada de investimentos estrangeiros foi de R$ 50,05 bilhões, média de R$ 10 bilhões por ano. Ou seja, após a perda do grau de investimento, o fluxo de investidores estrangeiros teve uma queda considerável.

Vale lembrar ainda que em 2020, mesmo com medidas que estimularam a alta liquidez global, proporcionada pela injeção de moeda nas economias mundiais devido à pandemia, a entrada de investidores foi de R$ 5,4 bilhões, menor do que a média dos últimos anos.

Neste ano, há diversos problemas internos no Brasil que atrapalham o fluxo estrangeiro, como o risco fiscal, sanitário e a dificuldade em avançar a agenda de reformas. Mesmo assim, houve entrada líquida acumulada até abril é de R$ 22,9 bilhões. Imagina se fizermos bem o dever de casa?

Essa coluna tem como único propósito fornecer informações e não constitui ou deve ser interpretada como uma oferta, solicitação ou recomendação de compra ou venda de qualquer instrumento financeiro ou de participação em qualquer estratégia de negócio específica. Possui finalidade meramente informativa, não configurando análise de valores mobiliários nos termos da Instrução CVM Nº 598, e não tendo como objetivo a consultoria, oferta, solicitação de oferta e/ou recomendação para a compra ou venda de qualquer investimento e/ou produto específico.

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