Leilões de bioenergia em SP podem ser lançados em dois meses, diz secretário

Economia

Leilões de bioenergia em SP podem ser lançados em dois meses, diz secretário

Redação Folha Vitória

São Paulo - O secretário de Agricultura de São Paulo, Arnaldo Jardim, afirmou que os "leilões vocacionados" de energia que o Estado pretende realizar podem ser "colocados na rua" em dois meses. "Primeiro, precisamos determinar qual é a demanda do Estado, qual a necessidade", destacou em entrevista a jornalistas após audiência do governador Geraldo Alckmin (PSDB) com representantes da cadeia produtiva de açúcar e álcool na manhã desta terça-feira, 3.

Conforme Jardim, esses leilões de energia serão realizados pela Companhia Energética de São Paulo (Cesp) e voltados à bioenergia, aquela produzida a partir de biomassa, como palha e bagaço de cana.

Indagado sobre o preço do megawatt comercializado nos leilões, o secretário apenas comentou que será semelhante àqueles oferecidos pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Segundo Jardim, as usinas estão em dificuldades, o que torna necessária a entrada da Cesp para arcar com os custos de cogeração. "Essa medida recuperaria parte dos empregos perdidos pelo setor, mas para recuperar todos será necessário melhorar a competitividade do etanol", afirmou.

Alckmin assinou dois decretos nesta segunda-feira, sendo um voltado à questão tributária do setor sucroenergético e outro à redução do ICMS incidente sobre amido, xaropes, glicose e outros derivados de milho, que deve acarretar em renúncia de R$ 15 milhões por ano aos cofres do governo.

Crise hídrica

Jardim comentou, ainda, que estão sendo preparadas medidas para reduzir o consumo e o desperdício de água na agricultura do Estado, que tem sofrido com reservatórios quase secos e chuvas abaixo do ideal.

Uma dessas medidas, segundo o secretário, é "regular equipamentos" de irrigação, de modo a evitar perdas. Há também planos para recuperar nascentes e matas ciliares, que atenuariam o assoreamento de rios. A utilização de sementes melhoradas, que dependam menos de água, também é estudada.

"É óbvio que o momento é emergencial, mas também é estrutural. Temos de pensar a agricultura com novos equipamentos, com novas tecnologias", comentou Jardim. De acordo com ele, o governo pretende utilizar técnicos das secretarias de Agricultura e Meio Ambiente para a fiscalização do uso de água em áreas agrícolas.

Também em conversa com jornalistas, Alckmin afirmou que pretende fazer a interligação dos reservatórios Rio Grande e Taiaçupeba, que abastecem a Grande São Paulo, até maio, com possibilidades de ser entregue pela Sabesp em abril.