Produção de petróleo na China deve recuar este ano após atingir recorde em 2015

Economia

Produção de petróleo na China deve recuar este ano após atingir recorde em 2015

Redação Folha Vitória

Pequim - Apesar de figurar entre os cinco maiores produtores de petróleo do mundo, a China pode ver sua produção diminuir este ano, disseram especialistas do setor. De acordo com eles, os campos de produção chineses estão se exaurindo, tornando a extração cada vez mais cara num momento em que o preço do barril está no menor patamar em muitos anos. Para alguns, inclusive, a produção do país pode ter atingido seu pico.

Recentemente, a China Petroleum & Chemical Corp (Sinopec) afirmou que sua produção recuou quase 5% no ano passado. Já a principal rival dentro do país, a estatal PetroChina, produziu 1,5% menos nos primeiros três trimestres de 2015. Juntas, as duas respondem por 75% da extração chinesa.

A Cnooc, a terceira maior empresa chinesa do setor, afirmou no mês passado esperar que sua produção recue 5% este ano, após anos de rápido crescimento.

Ainda que a produção da China comece a cair, sua demanda por petróleo deve continuar firme. Isto pode ser uma boa notícia para os preços.

"A questão na China é que eles sabem que existe muito potencial em seu subsolo, porém é mais barato importar", disse Peter Lee, analista de energia da BMI Research.

Enquanto os cortes na produção em muitos países têm sido mínimos mesmo com a queda dos preços, especialistas acreditam que a produção chinesa pode recuar entre 100 mil e 200 mil barris por dia este ano. Em 2015, o país produziu um recorde de 4,6 milhões de barris por dia, de acordo com dados do governo local.

"O declínio da produção chinesa pode ajudar a diminuir a situação de excesso de oferta no mundo", disse Nelson Wang, analista de petróleo da corretora CLSA.

Parte do mercado crê também que a produção local não deve reagir tão cedo, dado o baixo nível dos investimentos em projetos de extração. A Cnooc disse que seus investimentos devem recuar cerca de 40% este ano, após baterem recorde em 2014.

Atualmente, o custo marginal de produção em alguns dos campos mais caros do país gira em torno de US$ 40 por barril, muito acima do atual patamar em que os preços se encontram no mercado internacional, que é por volta de US$ 30. Isto significa que muitas empresas chinesas terão prejuízo caso continuem produzindo.

Ainda assim, mesmo com a queda na produção chinesa, a oferta global deve superar a demanda em cerca de 1,5 milhões de barris por dia na primeira metade de 2016, de acordo com a Agência Internacional de Energia (AIE). Fonte: Dow Jones Newswires.