Levy diz ao FMI que País está comprometido com reversão rápida da situação fiscal

Economia

Levy diz ao FMI que País está comprometido com reversão rápida da situação fiscal

Redação Folha Vitória

Washington - A declaração que o Brasil apresenta na plenária deste sábado, 18, do Comitê Monetário Financeiro Internacional (IMFC, na sigla em inglês), órgão que dá as diretrizes políticas para o Fundo Monetário Internacional (FMI), assinada pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, afirma que o país adotou um conjunto de medidas para restaurar o equilíbrio fiscal e preparar a economia para um novo ciclo de crescimento e investimento, de acordo com a declaração, que como de praxe é divulgada um dia antes da reunião.

O ministro afirma que o Brasil está comprometido com uma "reversão rápida" na situação fiscal em direção a indicadores de endividamento mais estáveis e "eventualmente declinantes". "O ano atual é um ano de transição para a economia brasileira", afirma Levy no documento.

"Estas políticas (adotadas este ano no Brasil) levam em conta um cenário de incerteza para a recuperação da economia global", destaca Levy na declaração, ressaltando também a necessidade de ajustes na política fiscal e retirar medidas contracíclicas adotadas para lidar com o fim do ciclo de alta dos preços das commodities.

"O equilíbrio fiscal é condição necessária para a retomada do crescimento, mas mais precisa ser feito", afirma Levy. O documento menciona ainda que a equipe econômica está trabalhando com o Congresso em uma "ampla agenda de mudanças estruturais" para melhorar o clima de negócios, aumentar a produtividade e estimular o investimento. A agenda de reformas, afirma Levy, tem como objetivo proteger os ganhos sociais da última década e reforçar a classe média.

Ainda no texto, Levy cita preocupações em dar uma nova dinâmica ao mercado de capital e estimular o investimento de longo prazo em infraestrutura. Em um debate na manhã desta sexta-feira, 17, durante a reunião de primavera do FMI, Levy ressaltou a importância de o setor privado participar do financiamento ao investimento em infraestrutura.

Juros dos EUA

O processo de normalização da política monetária nos Estados Unidos deve gerar uma nova onda de apreciação do dólar e aumentar o movimento de capital especulativo, na visão de Levy, conforme declaração que o Brasil apresentará na plenária deste sábado, 18, do IMFC.

Levy colocará que a recuperação econômica dos Estados Unidos continua liderada pela expansão dos investimentos, produção industrial e aumento gradual do consumo. Esse ambiente permite um crescimento da economia norte-americana acima do potencial. Além disso, a inflação, excluindo o comportamento da energia, se aproxima da meta do Fed (banco central dos EUA). "O cenário reforça a visão de uma possível reversão da política monetária seguida nos últimos anos", apontará o ministro.

Nos últimos 12 meses, o dólar teve alta real de 20% contra o euro, de 12,7% contra a libra e 17,5% contra o iene. "Se o atual nível da taxa real de câmbio for mantida, ou se o dólar se apreciar mais, a queda nas exportações líquidas pode eliminar uma importante parte do crescimento dos EUA nos próximos anos", dirá Levy.

Na avaliação da Fazenda, o processo de alta nos juros norte-americanos pode levar a um aumento dos movimentos de capital especulativo de curto prazo, com potencial efeito adverso sobre os emergentes. Além disso, a divergência de política monetária entre os Estados Unidos, de um lado, e a zona do euro e o Japão, do outro, pode ter um impacto significativo para os países em desenvolvimento.