Octavio de Barros prevê transição tranquila no BC, em caso de mudança de governo

Economia

Octavio de Barros prevê transição tranquila no BC, em caso de mudança de governo

Redação Folha Vitória

Rio - A transição na diretoria do Banco Central (BC) no caso de o impeachment da presidente Dilma Rousseff passar no Senado deverá ser "tranquila" e "republicana", afirmou nesta quinta-feira, 28, o economista-chefe do Bradesco, Octavio de Barros. Para ele, os nomes ventilados na imprensa até aqui para substituir Alexandre Tombini são "muito bons", assim como a perspectiva de o ex-presidente do BC Henrique Meirelles assumir o Ministério da Fazenda é "excelente", em um eventual governo liderado pelo vice-presidente Michel Temer.

"Algumas áreas e ministérios têm de ter o mesmo rumo", destacou Barros, após dar palestra no Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef), no Rio.

O economista citou entre elas o BC e os ministérios da Fazenda, do Planejamento e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, além do Itamaraty, como os órgãos que deveriam atuar de forma mais integrada na gestão da política econômica.

Medidas fiscais duradouras

O Brasil precisa apostar em medidas duradouras na área fiscal, como a reforma da Previdência, afirmou Octavio de Barros. Se o País fizer "tudo direitinho" na política econômica, poderia recuperar o "grau de investimento" junto às agências de classificação de risco em dois anos, embora isso seja improvável, salientou Barros, durante a palestra no Ibef. "É impossível gerar superávits primários em 2016 e 2017, nem é desejável", afirmou Barros, referindo-se à queda de receita pública em meio à recessão.

Já um conjunto de reformas, com destaque para a Previdência, teria efeito direto sobre as expectativas e poderia garantir um maior crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no próximo ano. "Se o Brasil acertar nas reformas, dá para perder 80 pontos de CDS de 5 anos", completou o economista.

Para Barros, avanços na reforma da Previdência no Congresso Nacional é algo que depende mais de base de apoio parlamentar e as expectativas atuais são de que um eventual governo Temer terá isso.

A opção por reformas, segundo Barros, implica deixar de lado a tentativa de gerar superávits primários nas contas públicas neste ano e em 2017, algo que será impossível, por causa da queda de receitas diante da recessão.

Projeções

A equipe de economistas do Bradesco ainda projeta crescimento de 1,5% para 2017, mas, para Barros, dada a incerteza do cenário, a variação pode ser tanto de 0,5% como de 2,5%. Para o caso de a política econômica seguir patinando nas reformas, o "grau de investimento" pode voltar somente em sete anos.

Embora uma recuperação rápida do selo de bom pagador não seja o cenário básico de Barros, um avanço maior em reformas poderia resultar na volta do "grau de investimento" em algum momento entre os dois extremos.

Entre o pessimismo máximo e o otimismo extremo, Barros vê o câmbio com viés de valorização do real. Na palestra, o economista citou estudo que mostra que, se considerados apenas os efeitos da desvalorização das commodities, o dólar estaria hoje em R$ 3,20 e não R$ 3,517. Sem a atuação do BC no mercado, o câmbio estaria a R$ 3,30, estimou Barros.

Mesmo o cenário mais otimista traçado pelo economista na palestra não significa recuperação da economia. Barros lembrou que, desde o ápice do nível de atividade econômica, registrado em março de 2014, o PIB já encolheu de 7% a 8%. Levando em conta as projeções do Boletim Focus, do BC, o nível de atividade só retornaria ao ápice em dezembro de 2021, calculou Barros. No melhor cenário do Bradesco, a volta ao ápice seria em dezembro de 2019.