Com o quarto maior porto do Brasil, Espírito Santo ganha evidência até no mercado exterior

Economia

Com o quarto maior porto do Brasil, Espírito Santo ganha evidência até no mercado exterior

O Porto de Vitória é o quarto maior do Brasil em termos de valores movimentados Foto: TV Vitória

A logística entrou definitivamente no vocabulário do capixaba e virou sinônimo de oportunidade de trabalho por conta do grande desenvolvimento do Espírito Santo e do surgimento de diversos cursos na área.

A partir desta segunda-feira (19), a TV Vitória/Record vai exibir a série Logística é a Solução. Porém, ainda sim muita gente não sabe explicar o que é logística. “Logística é a área que você trabalha. Você prepara toda uma estrutura de uma empresa, organizando todos os setores no termo de compra, em como trabalhar, prestação de serviços e tudo que a empresa precisa”, disse um capixaba.

Segundo a economista e professora da Fucape, Arilda Teixeira, a logística está ligada diretamente a todas as atividades da produção. “Logística corresponde ao grupo de atividades que está relacionado a produção e ao escoamento da produção da economia de bens e de serviços. Então ela está relacionada a etapa final da execução da venda de um produto ou a entrega dele ao seu destino, portanto, requer uma estrutura física adequada para que esse escoamento se dê no ritmo e na direção corretos”, disse.

O Complexo Portuário do Espírito Santo é formado pelo Porto de Vitória, administrado pela Codesa. Ele movimenta contêineres e carga geral através dos Terminais Cais de Vitória, Companhia Portuária de Vila Velha, Terminal de Vila Velha, Capuaba, Peiú, Paul/Codesa e Flexibrás.

O Porto de Tubarão, que é administrado pela Vale do Rio Doce, é o maior exportador de minério e pelotas de ferro do mundo. Ele está localizado na Ponta de Tubarão, na parte continental do município de Vitória. Além do minério de ferro, também são movimentadas diversas outras cargas, a exemplo de grãos e combustíveis.

O Porto de Praia Mole, constituído pelo Terminal de Produtos Siderúrgicos (TPS), é operado pelo Consórcio Arcelor Mittal Tubarão, Usiminas e Açominas. Ele é responde por 50% das exportações brasileiras de produtos siderúrgicos. O Porto de Praia Mole também é responsável pela importação de carvão que atende a essas usinas siderúrgicas.

Ubu, no município de Anchieta, é um terminal operado pela Samarco Mineração. Ele foi construído para escoar a produção de pelotas de minério de ferro e também movimenta cargas diversas para consumo da empresa e de terceiros.

Por fim, o Portocel, em Aracruz, atende às unidades da Aracruz Celulose, Veracel, Bahia Sul/Suzano e Cenibra. Com três berços em operação e capacidade anual para 7,5 milhões de toneladas, este é considerado o mais eficiente porto especializado em embarque de celulose do mundo. Cerca de 70% da celulose exportada pelo Brasil sai do Portocel.

Operando juntos, todos esses terminais formam um dos maiores complexos portuários da América Latina, responsável por 9% das exportações e 5% das importações feitas pelo país.

O Porto de Vitória é o quarto maior do Brasil em termos de valores movimentados. De acordo com a Secretaria de Comércio Exterior, ligada ao Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, em 2013 foram 28,6 bilhões de dólares. Por aqui entram ou saem do Brasil produtos siderúrgicos, café em grãos e solúvel, trigo, granito, mármore, entre outros produtos.

É importante lembrar que o porto é uma peça da engrenagem econômica. Quando você compra um produto, por exemplo, alguém fabricou, transportou, armazenou e assim por diante. Muitas das vezes na mesma cidade, em outro estado ou em outro país.

É essa movimentação de mercadorias e serviços que faz a economia girar. No Espírito Santo, quase a metade da riqueza gerada passa pelo complexo portuário. “O desenvolvimento do Espírito Santo gira em torno dos portos. É um Estado que é conhecido no Brasil todo com uma logística boa, mas a gente precisa de melhorar. Hoje o Espírito Santo é basicamente exportador de minério de ferro, que corresponde a cerca de 85% da nossa movimentação de comércio exterior. Circunda a movimentação de minério de ferro, então nós precisamos mudar um pouco esse panorama”, ressalta a secretária estadual de desenvolvimento, Nery de Rossi.

Entre os pontos positivos do Estado na cadeia logística do país está a localização. A capital fica a 412 quilômetros do Rio de Janeiro, a 382 km de Belo Horizonte, em Minas Gerais; 742 km de São Paulo e 947 km de Brasília.

A malha rodoviária federal tem 760 quilômetros, com destaque para a BR-101, que liga o Estado ao Rio de Janeiro e à Bahia. Já a BR-262 leva até Minas Gerais. Além disso, todos os 78 municípios são interligados por vias asfaltadas, o que facilita o escoamento da produção.

Apesar das vantagens naturais, para a maioria dos especialistas, o Espírito Santo ainda não aproveita todo o seu potencial. Gargalos na infraestrutura, custos altos e burocracia têm feito o Estado perder competitividade. Com isso, os capixabas acabam perdendo oportunidades de trabalho, além de muito dinheiro.