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CNI vê perspectiva ruim para emprego industrial

Economia

CNI vê perspectiva ruim para emprego industrial

O faturamento real da produção fabril registra queda de 6% de janeiro a março ante o 1º trimestre de 2014. A situação não está pior porque em março houve alta de 0,2%

Estudo da Confederação mostra que apenas dados negativos no primeiro trimestre do ano Foto: Divulgação

Brasília - A indústria brasileira amargou apenas dados negativos no primeiro trimestre do ano e, ainda que a avaliação seja a de que a atividade fabril não deva mais apresentar "mergulhos" tão fortes como os verificados até então, a perspectiva para o mercado de trabalho do setor é ainda desanimadora. Este quadro foi traçado hoje pelo gerente-executivo de Política Econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flávio Castelo Branco, com base na pesquisa mensal Indicadores Industriais. "Há todo um ambiente desfavorável", resumiu.

Conforme o levantamento, o faturamento real da produção fabril registra queda de 6% de janeiro a março ante o primeiro trimestre de 2014. A situação não está pior porque foi visto algum alento em março, com alta de 0,2% ante o mesmo mês do ano passado. Esse avanço, no entanto, ainda é insuficiente para caracterizar uma recuperação da economia, segundo a CNI. "Mesmo com o crescimento no mês, o resultado trimestral deixa claro que a tendência de faturamento segue negativa", disse Castelo Branco.

Outros sintomas de que o setor manufatureiro passa por dificuldades são os relacionados ao mercado de trabalho. O emprego fabril encolheu 3,9% nos primeiros três meses deste ano, o volume de horas de serviço recuou 8,5%, a massa salarial caiu 4,1% e o rendimento médio real, 0,2%.

"Dada a dificuldade de reverter o cenário adverso no curto prazo, é provável que o rendimento médio dos trabalhadores da indústria continue caindo ao longo de 2015", avaliou o economista da Confederação. Ele lembrou que o mercado de trabalho demora um pouco mais para mostrar efeitos e que, por isso, ainda poderá continuar a revelar dados negativos nos próximos meses.

A expectativa de Castelo Branco é a de que as medidas de ajuste adotadas pelo governo - tanto na área fiscal, com corte de gastos, quanto na monetária, com aumento dos juros - mudem a percepção do cenário por parte de empresários e façam com que cresça a confiança dos investimentos para levar a uma recuperação econômica. "Quando vai se dar isso, ainda não temos clareza, até porque medidas ainda estão em discussão no Congresso."

Para ele, está claro que foram justamente estas medidas que colaboraram para um desempenho ruim do setor em 2015 até agora. O principal foi o aumento de tributos generalizado, desde em combustíveis e exportações até em folha de pagamentos e crédito. "Mas não creio em um mergulho pior. Até porque, o ajuste ocorrido no setor até agora já foi muito forte", disse.

A ociosidade também impera no ramo produtivo, apesar do aumento da Utilização da Capacidade Instalada (UCI) de fevereiro 78,8% para março 80,5%. Conforme a pesquisa da CNI, esta elevação fez com que o nível do uso das plantas industriais voltasse para o mesmo patamar de um ano atrás, marca ainda distante da considerada adequada pelo setor.

Câmbio

Longe de ser a resposta para todos os problemas, principalmente de forma automática, a alta recente do dólar deve ser vista pelo industrial como uma oportunidade a ser agarrada. Castelo Branco acredita que a valorização da moeda americana no mercado internacional é irreversível e o real deve acompanhar essa tendência. Por isso, defende, esta é uma janela a ser explorada pelos exportadores.

Para o economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio (CNC) e ex-diretor do Banco Central, Carlos Thadeu de Freitas, não há dúvidas de que o ano está perdido para o setor produtivo. "O negócio está feio. A tendência não é de piorar muito mais, mas também não vai melhorar", avaliou. O câmbio pode até ajudar a indústria, segundo ele, mas de forma tímida porque a demanda externa que existia anteriormente minguou. "Antes, a resposta era mais rápida do câmbio porque a economia mundial crescia mais. Agora vai demorar mais", disse, acrescentando que o câmbio de equilíbrio também deve ser mais alto do que o atual.