Movimento agora abraça pauta política

Economia

Movimento agora abraça pauta política

Redação Folha Vitória

As medidas anunciadas pelo governo federal para atender às demandas dos caminhoneiros em greve no País não aliviaram a tensão em pontos de bloqueio na Região Metropolitana de São Paulo. Nos bloqueios no ABC e na saída para o Sul do País, na Rodovia Régis Bitencourt, os motoristas diziam que o movimento ganhou na segunda-feira, 28, força política, defendiam "intervenção militar" e afirmavam que o governo federal terá de cortar em 25% os preços de todos os combustíveis na bomba, além de eliminar o PIS/Cofins.

No início da noite, o clima era de revolta em pontos da Rodovia Anchieta, no ABC, e na área de Embu das Artes, na ligação do Rodoanel com a Régis Bitencourt. "Desde a noite de sábado, 26, já sabíamos que esse acordo não ia atender a gente", afirmou o caminhoneiro Alexandre Alencar, do Embu, que tem dois caminhões no protesto. "Isso não resolve nada. Ele tem de cortar 25% em todos os combustíveis na bomba", afirmou Alencar, diante da barraca de alimentação dos motoristas paralisados na rodovia. Na Régis desde quarta-feira, 23, o motorista José Jari, de São João do Sul (SC), disse que os caminhoneiros vão resistir.

Anchieta

Na Rodovia Anchieta, em São Bernardo do Campo, também não havia o menor sinal de fim da greve dos caminhoneiros que ocupavam o acostamento e parte do canteiro central na altura dos km 23 ao 25, sentido litoral. "Só vamos sair daqui quando o Temer sair de lá", avisa Alexandre Alves, de 36 anos, que trabalha com um caminhão de abastecimento de combustível e tem auxiliado na triagem dos alimentos doados por comerciantes locais.

"Não sei se você está sabendo, mas hoje [terça-feira, 29], à meia-noite, os militares vão tomar conta de tudo", dizia ele, enquanto conversa com a reportagem de dentro da van onde estão estocados os mantimentos.

A expectativa pela intervenção militar está presente no local, mas não que seja um norte, um desejo coletivo representado por algum núcleo organizado. Na verdade, encontra-se de tudo um pouco pelo asfalto na Anchieta. Desde caminhoneiro que deixou a pauta inicial - a redução no preço do óleo diesel - para reivindicar mudanças políticas maiores até gente que mora nas redondezas e passa por lá para dar algum tipo de apoio ao movimento.

O "Fora Temer" é a única unanimidade presente em cartazes pendurados nas cercas das fábricas que circundam a região e no discurso de quem está envolvido com a greve.

"Agora ele está perdido, não imaginava que o povo ficaria do nosso lado. Isso aqui virou algo maior, as pessoas estão cansadas desse governo. De que adianta resolver a questão do óleo diesel e descontar na gasolina? Eu não sou só caminhoneiro", afirma Gilson Antônio Benedecti, de 41 anos, sendo dez nas estradas. Com seu veículo parado no acostamento desde o primeiro dia da greve, ele não acredita que os caminhões voltarão a circular tão cedo. "Não enquanto o Temer estiver lá", aponta.

Buzinas e desvio

Enquanto a reportagem do jornal O Estado de S. Paulo esteve no local, presenciou motoristas que passavam e buzinavam em sinal de apoio aos grevistas, incluindo um grupo de motoboys. Um agente da Polícia Federal Rodoviária orientava os motoristas que se aproximavam do trecho com cones, desviando o fluxo em alguns momentos para a pista central.

Na altura do km 280 da Régis, as faixas pedindo intervenção militar estão no alto da passarela e no gramado do local que serve de estacionamento para caminhoneiros. Um caminhoneiro que não quis revelar seu nome completo, mas identificou-se como Ademir, reclamava que o prazo de 60 dias estabelecido pelo governo é o problema. "Se o Temer colocasse na lei não os 60 dias, mas seis meses, isso aqui se esvaziava." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.