Governo inicia seleção de gestora que vai investir R$ 250 milhões em empresas do ES

Economia

Governo inicia seleção de gestora que vai investir R$ 250 milhões em empresas do ES

Os investimentos serão feitos desde áreas mais tradicionais, como confecção, têxtil e calçados, até empresas de economia criativa e nanotecnologia

Foto: Hélio Filho/Secom

O governo do Espírito Santo abriu, nesta terça-feira (11), um processo de licitação para contratar a empresa privada que será responsável por administrar um fundo de R$ 250 milhões, voltado para investimentos do tipo “venture capital”. Nessa modalidade, o fundo compra ações de startups ou empresas e passa a ser sócio do negócio. Os investimentos vão de áreas mais tradicionais, como confecção, têxtil e calçados, até economia criativa e nanotecnologia.

O Fundo Exclusivo de Investimento em Participações (FIP) será composto por recursos do fundo soberano do Estado, criado em 2019 e alimentado com receitas de royalties e participações de petróleo. O Fundo Soberano do Estado do Espírito Santo (Funses) é uma reserva de recursos que somente a administração estadual possui e funciona como se fosse uma poupança do governo do Estado. Atualmente ele é gerido por um Conselho Gestor.

O aporte inicial do governo estadual no FIP será de R$ 250 milhões. No entanto, o volume de recursos pode atingir até R$ 500 milhões. Dessa forma, o fundo, que será operacionalizado pelo Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes), será um dos maiores do país, em volume de recursos disponíveis na categoria 'venture capital'.

O FIP será destinado a investir, preferencialmente, em empresas que tenham a sua atividade principal voltada para a inovação ou aperfeiçoamento no ambiente produtivo ou social em diferentes setores, como Tecnologias da Informação e Comunicação; Nanotecnologia; Varejo e Comércio Eletrônico; Economia Criativa, Serviços Financeiros; Economia Digital; Educação; Saúde e Ciências da Vida; Energias Renováveis; Químico e Materiais; Meio Ambiente; Agronegócio; Metalmecânico; Transporte; Logística; Rochas Ornamentais; Economia do Turismo e Lazer; Madeira e Móveis; Confecção; Têxtil e Calçados.

A seleção da empresa gestora do fundo será por meio de chamada pública. Segundo o governo do Estado, o processo de escolha deve levar 90 dias. Os investimentos estão previstos para começar em 2022 e serão feitos em um período de cinco a dez anos. 

Ainda de acordo com o governo do Estado, a vigência do FIP será terá 10 anos, prazo que poderá ser prorrogado por mais dois anos. Com o fundo, o governo estadual pretende atrair e prospectar novos negócios, já que o capital investido será destinado a projetos de empresas que tenham ou venham a ter investimentos no Estado ou em todo território nacional, desde que a empresa tenha sede fiscal no Estado do Espírito Santo.

“O Estado tem grande potencial devido à sua localização estratégica. Aliamos a isso outros indicadores econômicos já conquistados, como a Nota A no Tesouro Nacional, a agilidade na abertura de empresas, os incentivos fiscais e a mão de obra qualificada. Todos se somam num cenário positivo e favorável a investimentos. Com o FIP, daremos mais um salto em direção à inovação, que já é realidade no mercado mundial, e se aproxima cada vez mais do Estado”, pontuou o secretário de Estado de Desenvolvimento e Inovação, Tyago Hoffmann, durante o lançamento do edital para a contratação da gestora do FIP, na tarde desta terça-feira.

Na ocasião, o governador Renato Casagrande destacou que o governo estadual tomou a decisão de usar uma riqueza finita, que é o petróleo, para investir no futuro. “É um passo de modernização que consolida a cultura de gestão fiscal eficiente no Estado. Também é mais um passo do Plano Espírito Santo para que possamos retomar nossas atividades econômicas e também proteção ao emprego. Somos um Estado pequeno, mas temos o maior fundo de proteção ao emprego e também o maior fundo de venture do país. Não será o governo do Estado que fará essa aplicação, essa prospecção será realizada por essa empresa”, afirmou.

Já o diretor-presidente do Bandes, Munir Abud, ressaltou que essa nova modalidade será uma ferramenta de atração e de crescimento de empresas no Estado. “Este será um dos maiores fundos de investimentos em participações do País, uma forma de consolidarmos o ambiente de investimento no Estado, tudo com celeridade e transparência. O Fundo de Investimento em Participação poderá atuar encorpando as empresas e dando solidez para que se possa retomar a dinâmica econômica nos próximos anos.”