Odebrecht descarta impacto da Lava Jato e estuda novas concessões de aeroportos

Economia

Odebrecht descarta impacto da Lava Jato e estuda novas concessões de aeroportos

A empresa está associada ao grupo Changi Airports, responsável pelo terminal de Cingapura, na gestão do novo Aeroporto Tom Jobim e também compõe o consórcio a Infraero

Redação Folha Vitória
A empresa descartou impactos das investigações no projeto, Foto: Divulgação

Rio - Envolvida na Operação Lava Jato, que resultou na prisão de seu ex-presidente executivo, a Odebrecht estuda participar de novas concessões de aeroportos.

O braço de transportes do grupo pode reforçar a aposta no setor após sua primeira concessão no País, o Galeão, no Rio, registrar alta de 3% no fluxo de passageiros em 2015 - em plena crise econômica que provocou redução da malha das companhias aéreas nacionais e do fluxo de passageiros corporativos.

Neste terça-feira (11) em balanço das operações, a empresa descartou impactos das investigações no projeto, que prevê mais R$ 2 bilhões em investimentos até abril.

"As concessões ainda estão em período de estudos. Mas vamos avaliá-las para participar", afirmou Luiz Rocha, presidente da concessionária RIOgaleão, que opera o terminal. Anunciado em junho, o plano do governo para retomar obras de infraestrutura no País prevê a concessão de quatro terminais: Salvador, Fortaleza, Porto Alegre e Florianópolis, com expectativa de atração de R$ 8,4 bilhões.

Rocha destacou a "independência" da concessionária e da Odebrecht Transport, braço do grupo que comanda os investimentos no setor, para refutar impactos das investigações sobre as obras do terminal com vistas aos Jogos Olímpicos. Mas a Polícia Federal não descarta investigar as concessões de cinco aeroportos, realizadas desde 2012, após encontrar citações aos projetos em uma lista do doleiro Alberto Youssef, pivô das investigações sobre o cartel entre empreiteiras em obras do governo.

"Não temos nenhuma espécie de preocupação. A Odebrecht Transport é uma das 15 empresas independentes do grupo, não sofre nenhuma investigação e tem capital próprio. O aeroporto também tem estrutura de governança própria e não sofre nenhuma influência da operação", frisou Luiz Rocha.

A empresa está associada ao grupo Changi Airports, responsável pelo terminal de Cingapura, na gestão do novo Aeroporto Tom Jobim. Também compõe o consórcio a Infraero, com quem o grupo dividiu um valor recorde de outorga: R$ 19 bilhões, pagos em 2013. Além do montante já desembolsado, o grupo planeja investir R$ 5 bilhões em 25 anos, sendo R$ 2 bilhões até abril, para complementar as obras de infraestrutura e ampliação do terminal.

O fôlego para os investimentos vêm da alta do fluxo de passageiros, de 3% mesmo com cenário adverso no País. "Mesmo com a Copa no último ano e com a condição econômica que todos sofremos, temos crescimento no fluxo. Isso é um avanço significativo", afirmou Rocha. Com os passageiros, a expectativa é de crescimento também nas receitas comerciais, com a abertura de 60 novas lojas e restaurantes. A concessionária aposta na diversificação dos negócios, com ampliação no terminal de cargas.

Obras

No canteiro de obras da chamada Fase Olímpica, cerca de 5 mil operários trabalham 24 horas por dia para finalizar estacionamentos, píer e saguão de passageiros, com 100 mil metros quadrados e mais 26 pontes de embarque, além de pátio de aeronaves e revitalização dos dois terminais já em uso. No conjunto, as obras estão com avanço de 60% a oito meses do prazo contratual para entrega.

O consórcio assumiu a conclusão da primeira entre três etapas de obras contratadas pela Infraero para a Copa do Mundo. Os contratos originais foram suspensos, a concessionária discute com a sócia estatal o que fazer com obras não finalizadas - algumas nem sequer iniciadas. Enquanto isso, a revitalização do terminal 1, o mais antigo, já apresenta resultados, com melhora na sinalização, torres de recarga de celular, climatização, novas escadas rolantes, esteiras e guichês de check-in.

A área mais aguardada - o novo píer de passageiros que concentrará as operações com 1,5 milhão de passageiros esperados durante os jogos - tem avanço de 45%, segundo o gerente de produção, Pedro Buonsante. O esqueleto está pronto, e a próxima fase é instalar cobertura e revestimento de vidro e alumínio, além do granito nos pisos. "O desafio maior é logístico, com 70 caminhões circulando no pátio. Como fazer isso sem atrapalhar o dia a dia do aeroporto?", questiona o gerente.

Nas ilustrações que alimentam o imaginário dos passageiros, vê-se um terminal espaçoso, com instalações e acabamento de luxo, novas salas vips, praças de alimentação e ampla área comercial. Estão previstas novas 14 esteiras rolantes para conectar as áreas de embarque, além de elevadores e sistemas de refrigeração - queixas recorrentes dos usuários. "Os cariocas voltarão a ter orgulho de seu aeroporto. A experiência do passageiro vai ser modificada radicalmente", concluiu Rocha.