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Made in Espírito Santo: celulose capixaba é usada em papel até do outro lado do mundo

Economia

Made in Espírito Santo: celulose capixaba é usada em papel até do outro lado do mundo

A celulose capixaba é exportada para 86 países. Todo processo de produção envolve seis mil pessoas no estado e movimenta a economia em vários setores

Naira Scardua

Redação Folha Vitória
Foto: Divulgação
Celulose fabricada no Espírito Santo é usada em papel de 86 países

Quando falamos em celulose, muita gente associa logo à produção de papel para impressão de livros, jornais, revistas e documentos. Mas já reparou que a embalagem do remédio que temos em casa é feito de papel? Tem ainda o os papéis de presente, guardanapo, papel toalha, papel higiênico, o fotográfico, os rótulos, sacolas. A celulose é um dos produtos mais presentes no nosso cotidiano.

E é curioso imaginar que o papel usado em países como Estados Unidos e China é fabricado a partir da celulose produzida no Espírito Santo, mais especificamente em Aracruz, no norte do estado. 

Difícil alguém falar de Aracruz sem lembrar da fábrica de celulose, são mais de 50 anos no município. Várias famílias da região estão há gerações ligadas de alguma forma ao trabalho de produção da celulose. O Fábio Giacomin, por exemplo, está na fábrica de celulose há 30 anos, entrou como mecânico e hoje é operador de painel. Nesse tempo ele casou, teve filhas que hoje são adultas e viu muitas mudanças:

"Eu entrei em 89 e a evolução tecnológica foi muito grande. Antes quase não tinha computador, a forma de trabalhar mudou bastante. É gratificante saber que o que a gente produz aqui com tanta qualidade chega no mundo todo".

O Fábio é uma das mais de seis mil pessoas envolvidas no processo de fabricação da celulose em Aracruz. São dois milhões e 300 mil toneladas por ano. Um número que faz o Espírito Santo ser o segundo maior produtor de celulose do mundo.

A fábrica onde o Fábio trabalha, a Suzano, é líder mundial em produção de celulose, tem onze unidades espalhadas pelo Brasil e a de Aracruz só perde em produção para a de Três Lagoas, Mato Grosso do Sul.

A celulose é número 1 em exportação

O café um dos carros-chefes do agronegócio do Espírito Santo, mas quando assunto é exportação, a celulose sai na frente. É o produto do agronegócio capixaba com maior valor negociado na venda para outros países, de acordo com o subsecretário de aquicultura, pesca e desenvolvimento rural sustentável do estado, Michel Tesch Simon.

"Só em 2018 foram 920 milhões de dólares negociados na venda de celulose para o mercado externo. O segundo lugar é do café, com 482 milhões de dólares em exportação e o terceiro da pimenta do reino, com 80 milhões de dólares. A celulose é sem dúvida uma indústria que movimenta de forma positiva a cadeia econômica do Estado", afirma.

Quando a gente analisa todos os produtos exportados no Estado, não só os do agronegócio, a celulose vem em terceira colocação. Os dados, fornecidos pela Secretaria de Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca do ES, se referem a 2018 e são da Comex Stat, uma plataforma do Governo Federal que mede as estatísticas de exportação do país.

Do Espírito Santo para a China

E quem é que mais compra a celulose do Espírito Santo para fabricação dos vários tipos de papel? China, Estados Unidos e países do leste europeu são grandes clientes da nossa celulose. O volume de exportação é tão elevado, que existe um porto em Aracruz só para fazer o despacho do produto, é o Portocel. Mais de 86 países consomem produtos feitos com a celulose do estado.

Foto: Divulgação

"No mundo todo mais de 2 bilhões de pessoas entram em contato com a celulose produzida pela empresa. É uma grande responsabilidade, por isso buscamos ser cada vez mais eficientes e corretos em todo o processo de fabricação da celulose. Só é bom para nós, se for bom para o mundo", afirma o gerente executivo industrial da Suzano, Marcelo de Oliveira.

Panela de pressão gigante

A produção de celulose dura três dias. Tudo começa nas florestas de eucalipto. As árvores são plantadas principalmente para esse fim. O eucalipto não é uma planta nativa, ele veio do Austrália e se adaptou muito bem em terras brasileiras. 

Em Aracruz são 242 mil hectares de plantio, ou seja, o equivalente a de 242 mil campos de futebol. Todos os dias 25 mil toneladas de eucalipto chegam à fábrica de celulose.

O processo de produção de celulose é assim:

1- As toras de eucalipto são levadas de caminhão para a fábrica. 

2- Uma esteira gigante transforma as toras em pedacinhos.

3- O digestor, uma espécie de panela de pressão gigante, cozinha os pedacinhos de madeira com um elemento químico.

4- A celulose sai escura e vai para o processo de branqueamento. A água é retirada para diminuir o peso do produto.

5- Já branca, a celulose, sai em placas que parecem uma cartolina mais rígida. 

6- As placas são embaladas, estocadas e partem para o consumo interno e externo.

Confira no vídeo o processo de produção da celulose:

O gerente executivo de celulose da Suzano, Leonardo Mendonça explica que todo o processo é feito de maneira sustentável: “A verdadeira fábrica de celulose é a floresta, nós contamos com um processo tecnológico de seleção de clones e manejo florestal para garantir a produtividade. Todos os dias 125 mil árvores de eucalipto são plantadas para o sustento da produção da fábrica”.

Eucalipto gera energia

O que algumas pessoas não sabem é que durante o processo de produção da celulose, a lignina (principal componente da madeira) é separada, e passa por um processo de evaporação e queima, para produzir a energia elétrica. Essa energia produzida é suficiente para sustentar a fábrica e ainda sobra.  O excedente  seria suficiente para abastecer uma cidade de 100 mil habitantes.

Quer saber como é feita a produção de energia por meio do eucalipto? Confira na entrevista com o gerente executivo de celulose da Suzano, Leonardo Mendonça: