Entenda por que a chuva que atinge o ES não evita aumento no preço da energia elétrica

Economia

Entenda por que a chuva que atinge o ES não evita aumento no preço da energia elétrica

Falta de água levou a Aneel a criar mais uma taxa extra, que entrou em vigor nesta quarta-feira. Desta forma, o preço da energia passa de R$ 9,49 a cada 100 quilowatts-hora para R$ 14,20

Foto: Divulgação

A chuva que atinge a maior parte do Espírito Santo, nos últimos dias, tem ajudado a abastecer reservatórios de água, que andam vazios, e a minimizar os prejuízos sofridos pela agricultura, em algumas regiões. Entretanto, está longe de representar o fim dos problemas no fornecimento de energia elétrica.

A falta de água levou a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) a criar mais uma taxa extra, que entrou em vigor nesta quarta-feira (01). Trata-se da bandeira tarifária da escassez hídrica, que aumentou o preço da energia elétrica de R$ 9,49, a cada 100 quilowatts-hora (kWh), para R$ 14,20.

Mesmo que no Espírito Santo tenha chovido mais em 2021 do que em outras regiões do país, o estado também sofre o impacto da escassez hídrica, igual a todo mundo, quando o assunto é fornecimento de energia. Mas por que será que isso acontece?

O presidente da Agência Estadual de Recursos Hídricos (Agerh), Fabio Ahnert, explica que, além do Espírito Santo não possuir grandes usinas geradoras de energia, o sistema elétrico brasileiro é interligado. Trata-se de uma rede de distribuição para o país inteiro, o que cria uma dependência entre as regiões.

"Os reservatórios do Espírito Santo estão até num nível bom de água. Mas não adianta chover muito no Espírito Santo, e aumentar muito o nível dos reservatórios aqui, que a grande contribuição para o sistema elétrico brasileiro se concentra na Bacia do Paraná e na Região Centro-Oeste do País. Se a região central do País e do Paraná não melhorarem, a gente vai enfrentar esse problema de crise hídrica e crise energética", afirmou.

Fabio Ahnert destaca que, para restabelecer a normalidade, seria necessário termos chuvas menos volumosas e mais constantes, tanto no estado quanto no restante do país.

"Essa chuva intensa causa mais estrago do que benefício. Então ela não resolve o problema de disponibilidade hídrica. Não é aquela chuva que recarrega os aquíferos", frisou.

Portanto, no sistema elétrico interligado, não basta chover apenas em algumas regiões. Além disso, com um clima cada vez mais instável, depender demais da matriz hidroelétrica também se transformou num problema.

"O Brasil é muito dependente da matriz hidrelétrica para produção de energia, ou seja, da condição essencialmente climática. Nós temos energia solar, nós temos potencial de energia eólica, nós temos um país que tem uma costa enorme com o Oceano Atlântico e que pode produzir energia do mar, por maremotriz. Então o País precisa replanejar o setor elétrico para não ficar tão dependente de anomalias climáticas como a gente tem enfrentado", pontuou o presidente da Agerh.

"Se a gente levar em consideração as alterações climáticas que a gente tem observado ao longo, principalmente, dos últimos anos, em que passamos por grandes períodos de escassez hídrica — vale destacar que, entre 2014 e 2017 tivemos um período de seca bastante prolongado —, a gente vê a necessidade sim de uma diversificação maior da matriz energética", ressaltou o meteorologista do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), Hugo Ramos.

Chuvas devem ocorrer com maior frequência na 2ª quinzena

A previsão do Incaper é que as chuvas dos últimos dias devem durar até a próxima sexta-feira (03) no Espírito Santo. A partir da segunda quinzena de setembro, elas devem ocorrer com mais frequência, segundo o instituto.

"Passando por esse período agora, de setembro até a primeira quinzena de outubro, a gente tem um processo lento e gradativo de aumento, tanto da temperatura como das chuvas", frisou Hugo Ramos.

"A partir da segunda quinzena de outubro, a expectativa é que a gente recomece o período chuvoso para que, no final do ano, a partir das primeiras chuvas, a capacidade de armazenamento de solo volte a subir e os níveis dos rios também já comecem a se elevar, o que vai contribuir para uma recuperação dos mananciais e para um aumento de disponibilidade hídrica, tanto para a indústria como para a agricultura e também para a geração de energia", completou.

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* Com informações do repórter Alex Pandini, da TV Vitória/Record TV