Modelo de 'campeãs nacionais' está 'fora de moda', diz presidente do BNDES

Economia

Modelo de 'campeãs nacionais' está 'fora de moda', diz presidente do BNDES

Sobre um possível apoio do BNDES para a consolidação do setor de papel e celulose, com uma eventual fusão entre Fibria e Suzano, Rabello de Castro afirmou que o movimento não é viável neste momento

São Paulo - O modelo de "campeãs nacionais" não existe mais e "está fora de moda", disse na segunda-feira, 23, o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Paulo Rabello de Castro, em evento do setor de papel e celulose, em São Paulo. "O processo de eleger campeões nacionais saiu de moda. O que é moda agora é micro, pequena e média empresa. A gente tem um portfólio mais pulverizado e é até natural", comentou.

Sobre um possível apoio do BNDES para a consolidação do setor de papel e celulose, com uma eventual fusão entre Fibria e Suzano, Rabello de Castro afirmou que o movimento não é viável neste momento. "O banco não tem tido tempo e emocional para avaliação de setores. O tempo que o banco tem gasto agora é para explicar o passado. Todo o capital humano trabalha para juntar papéis e atender pedidos dos mais diversos órgãos."

Apesar disso, o presidente da instituição de fomento revelou que o BNDES avalia a compra de ativos da Caixa Econômica Federal. "(O BNDES) pode, eventualmente, selecionar alguns ativos que sejam do nosso interesse. Por enquanto simplesmente avalia, porque toda a programação financeira não cabe com a devolução de R$ 130 bilhões (ao Tesouro)", disse.

Rabello de Castro explicou que o BNDES possui índice de Basileia (porcentual de capital mantido por bancos como precaução contra o risco de crédito) confortável, enquanto a Caixa tem posição menos confortável, devido ao elevado volume de empréstimos realizados no passado. "Esticou a corda dos trabalhos e o capital não cresceu da mesma forma. Eventualmente pode ocorrer alguma operação financeira (com o BNDES) com troca de ativos que possa reequilibrar a Caixa para que ela fique bem com a Basileia e que não prejudique o BNDES."