'O caixa não necessariamente é disponibilidade sacável’, diz Rabello de Castro

Economia

'O caixa não necessariamente é disponibilidade sacável’, diz Rabello de Castro

Redação Folha Vitória

São Paulo - O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Paulo Rabello de Castro, mostrou-se irritado com a divulgação na imprensa nesta terça-feira, 3, de notícia segundo a qual o banco de fomento teria no caixa os R$ 180 bilhões que a União pede que seja devolvido ao Tesouro Nacional.

Para ele, fazer tal afirmação é não prestar atenção em uma coisa óbvia. "O caixa, seja de uma empresa ou de um banco, não necessariamente é uma disponibilidade ‘sacável’. Isso é uma ignorância financeira total."

Segundo ele, uma empresa ou um banco pode ter, momentaneamente, muito caixa e estar quebrado "porque o caixa pode ser que seja para pagar todas as dívidas que vou ter de saldar depois de amanhã, mas que estão em caixa". Segundo ele, "a situação do banco é confortável, mas não para a União dizer que vai sacar quantidades que em termos de magnitude, de bilhões, é incompatível com a combinação que foi feita".

Rabello de Castro explicou que a incompatibilidade entre o combinado com o BNDES e o que está sendo pedido pela União reside no fato de que o banco recebeu títulos com prazos longos. "Quando você recebe papéis para 2051 e 2052, presume-se que seu fluxo de caixa respeite um prazo longo porque esta é a vocação do banco. Investir em barragens, em grandes projetos de engenharia é realmente a nossa vocação. Não é um crédito rotativo."

Para ele, é um esforço muito grande que o banco está fazendo já para atender "a essa demanda emergencial que não se computa em milhões, mas que se computa em bilhões".

Ele disse que R$ 33 bilhões foram repassados ao Tesouro na semana passada e mais R$ 17 bilhões para fechar emergencialmente os R$ 50 bilhões para este ano. "E volto a reiterar que deveríamos ter mais respeito a bilhões. Este País precisa respeitar quando começa com bi. Para que as pessoas que não sabem exatamente o que podem ser os R$ 50 bilhões que vamos devolver, é mais do dobro do total dos investimentos federais em todas as áreas e setores do País este ano."