Chuva melhora um pouco a vazão dos rios, mas ES continua em estado de atenção para seca

Economia

Chuva melhora um pouco a vazão dos rios, mas ES continua em estado de atenção para seca

Não há qualquer relação entre a chuva que atinge o Espírito Santo e a crise energética no país, uma vez que as grandes hidrelétricas estão localizadas em outras regiões do Brasil

Rodrigo Araújo

Redação Folha Vitória
Foto: Adilson Caldas
Nível do Rio Doce diminuiu consideravelmente com a falta de chuva no Espírito Santo

Apesar da chuva que atingiu todas as regiões do Espírito Santo nos últimos três dias, a situação da crise hídrica no Estado ainda requer atenção e a economia de água continua sendo fundamental para evitar um desabastecimento.

De acordo com a Agência Estadual de Recursos Hídricos (Agerh), o período chuvoso promoveu uma leve recuperação das vazões dos rios capixabas, mas o Espírito Santo permanece em estado de atenção em relação à escassez hídrica.

"O estado tem recebido alguns volumes de chuva. Isso marca a transição do fim do período de estiagem para o início do período chuvoso. Mas há necessidade de manter ainda todos os cuidados com relação ao uso racional da água e a economia no uso da água", destacou o presidente da Agerh, Fabio Ahnert.

Segundo o presidente da agência, o aumento das vazões, em decorrência da chuva, foi observado principalmente nos rios de menor porte no Estado, que aumentam de nível com maior rapidez.

"Estamos observando uma leve recuperação das vazões dos rios. Os rios de pequeno porte no Espírito Santo são sensíveis à ocorrência de chuvas. Então o início da ocorrência de chuvas já promove uma leve recuperação das vazões," acrescentou.

Fabio Ahnert ressalta ainda que não só a população, mas todos os segmentos produtivos, tanto no campo quanto na cidade, devem continuar atendendo às recomendações de economia no uso da água.

"O cidadão deve economizar água naquilo que puder. Para a agricultura, preferencialmente fazer a irrigação nos períodos de menos calor durante o dia. E a indústria deve reforçar e intensificar os seus processos de reúso e reaproveitamento da água", frisou o presidente da Agerh. Ele garantiu que a agência continua monitorando diariamente o cenário, para manter a população sempre informada.

Leia também: Com baixo volume de chuva, rios do Espírito Santo se aproximam de nível crítico

Chuva no ES não interfere na crise energética

Nesses últimos dias de chuva, leitores do Folha Vitória levantaram a discussão, nas redes sociais do jornal on line, relacionando o grande volume de chuva que atinge o Espírito Santo com a crise hídrica nacional, que teve como uma das consequências o aumento da tarifa de energia elétrica, em virtude da baixa vazão nas usinas hidrelétricas.

Entretanto, não há qualquer relação entre a chuva que atinge o Espírito Santo e a crise energética no país, uma vez que as grandes hidrelétricas estão localizadas em outras regiões do Brasil.

No início de setembro, quando foi registrado o último período chuvoso no estado, a reportagem da TV Vitória/Record TV procurou a Agerh para entender se a chuva no Espírito Santo poderia contribuir, de alguma maneira, para minimizar a dificuldade na produção de energia.

Na ocasião, Fabio Ahnert explicou que, além de o Espírito Santo não possuir grandes usinas geradoras de energia, o sistema elétrico brasileiro é interligado. Trata-se de uma rede de distribuição para o país inteiro, o que cria uma dependência entre as regiões.

"Não adianta chover muito no Espírito Santo e aumentar muito o nível dos reservatórios aqui, que a grande contribuição para o sistema elétrico brasileiro se concentra na Bacia do Paraná e na Região Centro-Oeste do País. Se a região central do País e do Paraná não melhorarem, a gente vai enfrentar esse problema de crise hídrica e crise energética", afirmou na época.

O presidente da Agerh também disse que, para restabelecer a normalidade, seria necessário termos chuvas menos volumosas e mais constantes, tanto no Espírito Santo quanto no restante do país.

"Essa chuva intensa causa mais estrago do que benefício. Então, ela não resolve o problema de disponibilidade hídrica. Não é aquela chuva que recarrega os aquíferos", frisou.