Fundo Tarpon se desfaz de Cremer por R$ 500 mi

Economia

Fundo Tarpon se desfaz de Cremer por R$ 500 mi

Redação Folha Vitória

São Paulo - O fundo de investimento Tarpon, que tem participação em empresas como a BRF (dona da Sadia e Perdigão), Ômega Energia e Somos Educação (ex-Abril Educação), anunciou nesta segunda-feira, 27, a venda de sua fatia de 91% de participação que detinha na Cremer para a CM Hospital, do grupo Mafra, por R$ 499,1 milhões. A Cremer, empresa que produz materiais descartáveis para hospitais, será estratégica para a expansão da Mafra, que já atua no segmento de distribuição de medicamentos. A gestora também poderá vender outros ativos, como a Somos Educação, apurou o Estado.

As negociações para a venda da Cremer começaram há cerca de 30 dias. Há um ano e meio, contudo, o fundo Tambaqui (administrado pela Tarpon) já tinha recebido oferta pela Cremer quando a companhia estava em processo de cisão para a venda da divisão odontológica, a Cremer Dental (ao grupo Henry Schein). Com o anúncio da mudança de controle, as ações da Cremer fecharam com forte valorização de 57,13%, a R$ 14,77. O novo controlador deverá fazer uma oferta pública de ações (OPA) para comprar os papéis em circulação da companhia no mercado.

A Cremer é o investimento mais antigo da Tarpon, gestora do empresário José Carlos Magalhães, conhecido no mercado como Zeca, fundada em 2002. O fundo , que começou a comprar ações da Cremer na Bolsa e depois tornou-se o controlador da empresa, ficou no negócio por dez anos.

Desinvestimentos. O Estado apurou que a gestora está sendo assediada por empresas de educação para vender a Somos Educação, avaliada no mercado em R$ 4,6 bilhões. Um dos principais interessados no negócio é a gigante Kroton. De acordo com fontes a par do assunto, desde que a fusão da companhia com a Estácio foi barrada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), a Kroton está olhando ativos para expandir suas operações. A Somos Educação atua na área de ensino fundamental, segmento que a Kroton ainda não tem unidades e avalia entrar.

Não há conversas avançadas, mas as duas companhias já mantêm contatos nos últimos meses. Outras empresas de educação também estão próximas à Somos, disse a mesma fonte.Procurada, a Kroton informou que não comenta rumores de mercado. A Tarpon também não se pronunciou sobre esse assunto. De acordo com uma pessoa familiarizada com o tema, a Tarpon não descarta vender sua fatia - de 74,8%. Mas, se as negociações com a Kroton não vingarem, o fundo poderá buscar um parceiro estratégico para poder voltar a fazer aquisições neste setor.

Alimentos. A Somos Educação é o principal investimento da Tarpon, ao lado da gigante de alimentos BRF. A gestora de 8,4% de fatia na companhia, resultado da fusão entre Sadia e Perdigão. A BRF foi uma das principais apostas da Tarpon como investidora e a grande prova de fogo da gestora até o momento.

A companhia tem passado por alguns revezes - anunciou a quarta troca de presidente nos últimos quatro anos - o ex-presidente da Whirpool, José Aurélio Drummond Jr., foi escolhido na semana passada e vai substituir o executivo Pedro Farias, da Tarpon. No ano passado, registrou o primeiro prejuízo de sua história. A recuperação veio no terceiro trimestre, mas o mercado coloca em xeque se a companhia conseguirá fechar no azul este ano.

As ações da BRF acumulam 17% de queda somente no acumulado desde ano. O valor de mercado da companhia é de R$ 33 bilhões. A expectativa do mercado é de que os resultados da empresa voltem a se recuperar nos próximos meses, com a retomada das vendas e mudanças de estratégias para a gigante de alimentos. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.