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Loyola prevê que alta do dólar pode requerer mais juros para controle da inflação

Economia

Loyola prevê que alta do dólar pode requerer mais juros para controle da inflação

São Paulo - A Tendências Consultoria Integrada está em pleno processo de revisão da sua projeção da taxa básica de juros (Selic). A afirmação foi feita nesta sexta-feira, 20, pelo sócio da consultoria e ex-presidente do Banco Central (BC) Gustavo Loyola, após palestra para filiados ao Instituto de Advogados de São Paulo (Iasp).

De acordo com o ex-BC, por enquanto a previsão em planilha é de um aumento de 0,25 ponto porcentual da Selic, de atuais 12,75% ao ano para 13% ao ano. Ocorre, de acordo com Loyola, que diante do realinhamento do câmbio a previsão atual de juros passa a merecer um ajuste, já que o pass-through do câmbio (repasse da alta do dólar para os preços) pode requerer mais juros para amenizar os efeitos secundários do dólar sobre a inflação.

"O aumento de juros não atua sobre a correção de preços administrados, por exemplo, mas pode dificultar a transmissão dos efeitos ao longo da cadeia", disse Loyola. Para ele, o BC já deve considerar uma inflação próxima de 8% no acumulado de 12 meses neste ano, mas o mais importante é ver o que ocorrerá com as expectativas de inflação para 2016. "Se as expectativas começarem a desgarrar é porque o BC não está conseguindo ancorá-las", disse.

Loyola concorda com o presidente do BC, Alexandre Tombini, quando ele diz que o pass-through hoje é bem menor do que era há dez anos, mas ressalva que o desempenho da economia também influencia o repasse. "Se o nível de atividade econômica é maior, o pass-through é maior. Se é menor, o repasse também é menor", disse, acrescentando que parte da diminuição dos repasses das altas do câmbio para os preços está associada ao baixo crescimento da economia brasileira.

Ainda de acordo com Loyola, agora o repasse é menor também porque o empresário está acomodando parte da alta do dólar na sua margem de lucro. Loyola acredita, no entanto que a alta do dólar, ainda que em pequena monta, deverá ajudar alguns setores da indústria que se beneficiarão da substituição de produtos importados por nacionais.

Energia elétrica e PIB

Loyola reiterou que não está totalmente descartado um racionamento de energia elétrica no País. Ainda de acordo com ele, se houver um corte de 10% no fornecimento de eletricidade no País, o impacto no PIB seria de uma diminuição de 0,8 ponto porcentual.

"Hoje a nossa previsão é de uma retração de 1,2% do PIB. Se houver o racionamento, a queda será de 2%", disse. Para 2016, de acordo com Loyola, se os ajustes do ministro Joaquim Levy forem bem-sucedidos, em 2016 a economia crescerá 1,5%.

Loyola prevê que a inflação neste ano fechará em 7,9% e que o BC terá que enviar carta ao Ministério da Fazenda explicando as razões de o IPCA ter fechado 2015 acima do teto da meta. "Mas quem deveria escrever e assinar a tal carta é a presidente Dilma, Mantega e o Arno Augustin", afirmou, referindo ao ex-ministro da Fazenda Guido Mantega e ao ex-secretário do Tesouro. "O presidente Tombini não tem nada a ver com isso."

Programa da swap

Para Loyola, o BC deverá adotar uma postura de ir abandonando o programa de oferta de swaps cambiais de forma gradual para evitar uma maior volatilidade do câmbio. "Abandonar o programa de swap cambial de uma vez geraria maior volatilidade e seria uma mudança da regra do jogo", disse o ex-BC.

Segundo Loyola, o BC tem sinalizado que quer fazer a transição sem causar mais volatilidade ao mercado. "O BC pretende abandonar o programa gradualmente", disse.