O Will Bank havia sido comprado em novembro de 2024 pelo banco Master. Foto: Reprodução
O Will Bank havia sido comprado em novembro de 2024 pelo banco Master. Foto: Reprodução

Banco Central (BC) decretou nesta quarta-feira, 21, a liquidação extrajudicial do banco digital Will Bank, que integra o conglomerado do Banco Master.

A instituição estava em Regime de Administração Especial Temporária (Raet) desde novembro do ano passado, quando houve o decreto da liquidação extrajudicial do Master.

O Will Bank havia sido poupado inicialmente pelo BC, diante da avaliação de que poderia contornar seus problemas, já que tinha compradores interessados.

No entanto, isso não se concretizou. Segundo o BC, na segunda-feira, 19, o Will Bank descumpriu a grade de pagamentos com a Mastercard e teve sua participação no arranjo de pagamentos bloqueada.

No dia seguinte, a Mastercard deixou de aceitar compras realizadas com cartões de crédito do Will Bank. Decidindo executar as garantias vinculadas às dívidas do banco digital.

“Assim, tornou-se inevitável a liquidação extrajudicial da Will Financeira, em razão do comprometimento da sua situação econômico-financeira, da sua insolvência e do vínculo evidenciado pelo exercício do poder de controle do Banco Master, já sob liquidação extrajudicial”, afirmou a autarquia.

Trajetória do Will Bank

A fintech teve sua criação em 2017, mas só adotou o nome Will Bank em 2020, quando passou a operar com contas digitais. Antes, ela atuava apenas como carteira de pagamentos. O foco da instituição sempre foi o público de baixa e média renda, com menor acesso a serviços financeiros.

No ano passado, a fintech afirmou ter ultrapassado 12 milhões de clientes no Brasil, a maioria concentrada na região Nordeste. A empresa oferecia serviços como conta digital, cartão de crédito e pagamentos via Pix sem cobrança de anuidade.

Em 2020, o Will Bank informou ter crescido 338% em relação ao ano anterior, com lucro líquido de R$ 14,911 milhões. Além disso, já em 2021, anunciou um investimento de R$ 250 milhões do fundo de private equity da XP e da Atmos Capital, em troca de uma participação minoritária.

Nesse sentido, no ano seguinte, a empresa disse ter fechado uma transação com a startup de cashback Getmore, como parte dos esforços para a construção de seu marketplace.

Em fevereiro de 2024, o Master anunciou a aquisição do Will Bank. Não houve divulgação do valor da operação.

Meses depois, houve a aprovação do negócio pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e pelo BC. A liquidação do master aconteceu em novembro, menos de um dia após o Grupo Fictor ter indicado o interesse em comprar a instituição.