
O Banco Central vive um verdadeiro cerco sobre a sua atuação na liquidação do Banco Master, ocorrida em novembro do ano passado, e teme agora uma reversão do caso.
De um lado, está o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), que decretou sigilo sobre as investigações. Ele, inclusive, chegou a determinar uma acareação entre o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master e que chegou a ficar preso, e um dos diretores do BC.
De outro, está o ministro Jonathan de Jesus, do Tribunal de Contas da União (TCU). Ele ordenou uma inspeção na autarquia para averiguar o processo de análise do Master.
Em meio aos questionamentos do STF e do TCU, há um silêncio por parte da equipe econômica e de integrantes do governo Lula, que ainda não deram declarações de apoio ao presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, nem ao diretor de fiscalização, Ailton de Aquino. Ambos tiveram indicação para os cargos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Economistas e especialistas estranham as medidas adotadas pelos ministros porque consideram que não é papel do STF nem do TCU fazer uma revisão do trabalho do Banco Central. Também chama a atenção a rapidez com que isso vem acontecendo em pleno recesso do Poder Judiciário e do próprio Tribunal de Contas.
No BC, as ações são recebidas com surpresa porque nunca houve uma movimentação tão grande de ambas as cortes em processos do tipo. Nem mesmo após o Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional (Proer). Momento em que diversos bancos privados e estatais tiveram liquidação, com o controle da inflação, algo semelhante aconteceu.
Ex-presidente do Banco Central
Em entrevista, o ex-presidente do Banco Central Arminio Fraga lembrou que, no Proer, três bancos privados tiveram liquidação.
E os donos deles eram pessoas próximas do então presidente Fernando Henrique Cardoso. Mesmo assim, não houve interferências do STF e do TCU no caso.
Pessoas a par do assunto entendem a defesa de Vocaro tem o objetivo de encontrar subsídios por meio da ação do Supremo e do TCU para que haja questionamento sobre liquidação.
Impedindo uma nova prisão do banqueiro e que ele faça um acordo de delação premiada. Esse, sim, é o grande temor de políticos em Brasília.