
Paulo Baraona, presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), foi reconhecido na categoria Federações da pesquisa Líder Empresarial 2025. Fundada em 1958, a Findes representa 38 sindicatos, integra Sesi, Senai, IEL, Cindes e o Observatório da Indústria (Ideies) e hoje reúne mais de 20 mil indústrias que geram quase 272 mil empregos formais no Espírito Santo.
Em 2025, quando o ambiente produtivo enfrentou juros elevados e o impacto da taxação dos Estados Unidos a produtos brasileiros – com reflexos diretos a um estado cujo principal destino exportador é o mercado norte-americano –, a entidade abriu novas frentes: firmou MoU com a Decom Mission, criando ponte de negócios com a Europa no descomissionamento de plataformas.
Para 2026, a agenda é aprofundar conexões, receber a missão europeia no Espírito Santo e estruturar projetos com potencial de impulsionar logística, metalmecânica, economia circular e ambiental.
O tema de Líder Empresarial deste ano é “Tradição se renova com excelência”. O que tem de tradição, de renovação e de excelência na sua liderança?
Minha família me deixou dois legados que, para mim, fazem parte da tradição que precisa ser renovada. O primeiro, que também é uma lição, é o modo como devemos ver as coisas: devemos resolver poucos assuntos de vez para ter resolutividade.
Já o segundo é sobre o olhar para as pessoas e ter respeito com elas. Durante toda a minha vida, via meu pai tratar as pessoas como elas devem ser tratadas: com respeito. Vi isso desde muito pequeno. Você aprende com o tempo que dinheiro e condição financeira não dão a “licença” para destratar ninguém. Sempre que chego a um lugar ou vou a um evento, faço questão de cumprimentar todas as pessoas, independentemente do cargo ou da origem que tenham.
Por isso, acredito que a excelência também passa pela forma como tratamos as pessoas e como cuidamos de cada colaborador – e voluntário, no caso da Findes – que nos ajuda a construir diariamente a nossa empresa.
O que você preservou (e ainda preserva) do legado da empresa que você lidera e o que reformulou ao longo do tempo para elevar o padrão?
A Findes tem 67 anos de história. Por aqui passaram diversos presidentes, e cada um deixou a sua marca no desenvolvimento socioeconômico capixaba. Aprendi muito com eles e preservo coisas que, para mim, são essenciais: reputação, credibilidade e compromisso com a entrega.
Só avançamos quando honramos nossos compromissos, mantemos coerência, qualidade e contamos com a colaboração de quem está envolvido no processo. Hoje, na Findes, estamos acelerando a digitalização, profissionalizando cada vez mais processos, fortalecendo nosso capital humano e elevando o padrão de governança. Continuamos respeitando e mantendo o legado deixado pelos antecessores, mas sem deixar de evoluir em outros aspectos.

Que prática de gestão virou ritual na sua organização e que ajuda a explicar por seu reconhecimento como liderança no seu segmento?
Tento sempre ouvir bastante e entender o que está a minha volta antes de tomar qualquer decisão. E, com isso, poder ajudar a construir pontes entre as pessoas. Dessa forma, consigo me beneficiar das várias ideias e opiniões que estão a minha volta.
Qual risco uma liderança de excelência aceita e qual nunca aceitaria? O que é negociável e inegociável na sua gestão?
Acredito que toda liderança de excelência assume o risco quando toma uma decisão. Os riscos são inerentes ao negócio, mas acredito que os únicos que nunca podemos aceitar são os que vão contra a legislação – a exemplo da tributária, da trabalhista ou da ambiental –, ou seja, que fogem do conceito de legalidade.

E como você forma líderes abaixo de você? Quais são os critérios e atributos que mais incentiva e desenvolve?
Lideranças são construídas estimulando as pessoas a emitirem suas opiniões, participarem das decisões e se integrarem dentro da empresa. É dessa forma que elas se sentirão confortáveis na hora de terem a responsabilidade na tomada de decisões e de contribuir com as decisões conjuntas da empresa.
Na Findes, temos um programa de formação de lideranças chamado Sou Líder. Neste ano, 187 lideranças (gerentes executivos, gerentes, diretores e coordenadores) passaram pelo treinamento. Nesses encontros, eles tiveram a oportunidade de se aperfeiçoar em temas presentes no dia a dia, como feedbacks, comunicação e equipes de alta performance.
A Findes é uma empresa com cultura de colaboração e impacto. Temos hoje um deck de cultura que usamos como bússola e como ponte para conectar o que fazemos com onde queremos chegar enquanto empresa. Acredito que nossos líderes são o exemplo dos nossos colaboradores. São eles que guiam e que fortalecem a construção diária da nossa cultura.
Só avançamos quando honramos nossos compromissos, mantemos coerência, qualidade e contamos com a colaboração de quem está envolvido no processo.
Qual o papel da liderança para conduzir a empresa e liderados em relação a temas atuais, como ESG, diversidade, saúde mental, gestão pautada nas pessoas…?
A liderança precisa ter muita resiliência. Vivemos em um mundo onde a sociedade passa por mudanças muito rápidas e estamos em um período em que precisamos compreender como lidar com todas as novas tecnologias e inovações e com a mudança da sociedade. Ainda estamos aprendendo a lidar com todas as novas tecnologias – das mais simples às mais complexas – e descobrindo como elas podem nos ajudar na vida pessoal e no dia a dia dentro das empresas.
Se você tivesse que ensinar uma única regra de liderança, qual seria?
Seja sempre uma pessoa coerente consigo mesma, com os valores que tem e os que aprende, e seja compreensivo com as pessoas que estão a sua volta. Nós somos oito bilhões de habitantes em um mundo onde somos todos diferentes. Vivemos um sistema em que a maioria, normalmente, precisa conduzir a minoria. Por isso, o diálogo é mais do que necessário para criar um ambiente pacífico de crescimento e evolução da sociedade.