Petrobras reduz preço da gasolina em 5,2%; vai ficar mais barato nos postos?

A Petrobras anunciou nesta segunda-feira (26) uma redução de 5,2% no preço da gasolina vendida às distribuidoras. A medida passa a valer a partir desta terça-feira (27).

Atualmente, a gasolina que vai para as refinarias é vendida a R$ 2,71 o litro. Com a redução, este preço vai diminuir em 14 centavos, passando para R$ 2,57.

A gasolina que vai para as refinarias é chamada de “gasolina A”, e é enviada em estado puro, sem nenhuma mistura. Quando vai para as distribuidoras, há a adição de 27% de álcool anidro antes de chegar às bombas, nos postos de combustíveis.

De acordo com a Petrobras, desde dezembro de 2022 os preços às distribuidoras foram reduzidos em 50 centavos.

O preço do diesel não passará por mudanças, mas de acordo com a Petrobras, também desde 2022 o valor já foi diminuído em 36%.

Gasolina vai ficar mais barata nos postos?

Ainda não há dados concretos se o preço da gasolina vai cair para os consumidores finais. O cálculo é feito com base em custos de cada posto, levando em consideração frete, custos operacionais e folha salarial.

Por meio de nota, o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Espírito Santo (Sindipostos-ES) informou que o impacto para os consumidores dependerá da relação entre distribuidoras e postos.

“Importante reforçar que são as distribuidoras que compram da Petrobras e, por sua vez, vendem para os postos de todo o Brasil. Por isso, o impacto ao consumidor dependerá do repasse desse reajuste ao longo da cadeia”, informou o Sindipostos.

Desconto pode aliviar o IPCA

O desconto já era esperado por agentes do segmento de combustíveis. Ainda assim, com os preços praticados no Brasil acima dos internacionais e com o barril de petróleo acumulando queda de quase 20% em 2025, o movimento da estatal nos primeiros dias de 2026 pode gerar uma leve diminuição nas projeções do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de curto prazo, segundo especialistas ouvidos pelo Estadão/Broadcast.

A companhia abandonou a Paridade de Preços Internacionais (PPI) em maio de 2023 e passou a adotar uma estratégia comercial que evita transferir a volatilidade do petróleo para o mercado interno.

Entretanto, o cenário recente, marcado pela estabilidade das cotações externas do óleo e pela valorização do real em relação ao dólar, respalda a decisão, destaca o analista de Inteligência de Mercado da StoneX, Bruno Cordeiro:

“A defasagem entre o valor de venda da Petrobras e o do produto importado chegou a superar R$ 0,40 por litro em meados de janeiro. Na última sexta-feira (23), permaneceu em R$ 0,24 mesmo com restrições de oferta no Cazaquistão e receios acerca de impactos na produção norte-americana devido à chegada do vórtice polar aos Estados Unidos.”

Para o Itaú BBA, o anúncio foi neutro, embora a magnitude do corte tenha ficado um pouco abaixo da estimativa da equipe. “Depois do ajuste, os valores domésticos devem permanecer aproximadamente 5% acima da PPI, de acordo com nossos cálculos. Antes, estavam cerca de 10% superiores’”.

O analista da Genial Investimentos, Vitor Sousa, também aponta a diferença superior a 10%. “Não foi um corte artificial; havia espaço para reduzir”, afirmou.

*Com informações do repórter Alex Pandini, da TV Vitória/Record e do Estadão

Guilherme Lage, repórter do Folha Vitória
Guilherme Lage

Repórter

Formado em Jornalismo, é repórter do Folha Vitória desde 2023. Amante de música e cinema.

Formado em Jornalismo, é repórter do Folha Vitória desde 2023. Amante de música e cinema.