
Após ver seu Produto Interno Bruto (PIB) crescer próximo de 9% em 2025 – um desempenho inferior apenas ao do agro, cujas estimativas indicam alta de mais de 10% no ano passado –, a indústria extrativa deve repetir o desempenho positivo em 2026.
Projeção do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre/FGV) aponta para uma expansão de 9,6% no PIB do segmento neste ano.
O bom desempenho da indústria extrativa será puxado pelo petróleo, que deve registrar aumento na produção superior a 10%. O minério de ferro, outro componente do segmento, deve avançar cerca de 4%.
A indústria extrativa deverá se contrapor ao agro, que estagnará em 2026 após um 2025 de recordes. Também será o segmento da economia com maior crescimento no ano. O Ibre estima alta de 0,4% no PIB do agro, de 1,6% no de serviços e de 2,3% na indústria (sendo 2,2% na indústria da construção civil e 0,5% na de transformação).
Investimentos antigos explicam salto
Os números expressivos do petróleo decorrem de decisões de investimento feitas há mais de cinco anos, de acordo com o economista Walter de Vitto, da Tendências Consultoria.
Apesar de a pandemia ter derrubado a cotação do barril em 2020, os preços se recuperaram em 2022 com a guerra na Ucrânia e os projetos de investimento em novas plataformas foram confirmados à época.
No ano passado, três novas plataformas entraram em operação – duas delas da Petrobras e uma da Equinor –, ampliando a produção do País em 625 mil barris por dia. Outras duas, que somam mais 280 mil barris diários, haviam começado a produzir no fim de 2024.
Também em 2024, houve paralisações de plataformas que operam no País para manutenção, o que diminuiu a produção daquele ano.
Com uma base de comparação fraca e com praticamente seis novas plataformas operando, 2025 registrou uma expansão na produção importante (11,4% até outubro). Em 2026, o desempenho deverá continuar avançando.
Produção brasileira cresce acima da demanda global
O resultado da indústria petroleira brasileira surpreende quando se considera que a demanda global tem crescido timidamente, na casa de 1,2%. “Há uma bolha de produção aqui”, diz Vitto.
A bolha ocorre porque a produção brasileira de petróleo é muito competitiva. A exploração nacional é viável até se o preço do barril estiver ao redor de US$ 30 – hoje, a cotação está em cerca de US$ 65.
A média de viabilidade financeira no mundo é de US$ 60. “O Brasil é muito competitivo e rentável. Mas tem países, como o Canadá, sofrendo com os preços atuais do barril”, acrescenta o economista da Tendências.
Nas estimativas do economista Bráulio Borges, diretor da LCA Consultores, a produção de petróleo no País deverá aumentar 40% até 2032. Para 2026, ele também estima alta de 10%.
O segmento tem avançado bastante nos últimos anos. Só em 2024 ficou mais estagnado, porque a entrada de novas plataformas atrasou e elas começaram a operar só no fim do ano.
Economista Bráulio Borges, diretor da LCA Consultores
Mineração
Apesar de não registrar números como os do petróleo, a mineração também deve crescer em 2026, ajudando o PIB da indústria extrativa a avançar.
Exportado principalmente para a China, que o utiliza na produção de aço, o minério de ferro brasileiro deve ter um aumento de 4,2% em sua produção em 2026 – depois de uma alta de 3% em 2025 –, de acordo com dados da Tendências.
A fabricação de aço chinesa, entretanto, tem recuado. Ainda assim, com sua alta competitividade, o minério de ferro do Brasil tem tido desempenho positivo.
“O minério de ferro daqui é de excelente qualidade, diferentemente do da Austrália, por exemplo”, diz a economista Yasmin Riveli, da Tendências. “Quanto maior a qualidade, menos carvão é preciso na produção de aço. Isso torna o minério brasileiro mais atrativo, principalmente com a China tentando produzir aço de forma mais sustentável.”
Segundo Riveli, a partir de 2027, porém, o segmento pode começar a enfrentar desafios. Isso porque a produção de minério de ferro deve aumentar na Guiné, acirrando a competição no mercado e podendo reduzir os preços.