Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante pronunciamento à nação por ocasião do Natal e do Ano Novo
Em seu pronunciamento de Natal, Lula defendeu o fim da escala 6x1. Foto: Ricardo Stuckert / PR

O debate sobre o fim da escala 6×1 ganhou destaque no pronunciamento de fim de ano do presidente Lula. E reacendeu discussões no Congresso e na sociedade sobre a viabilidade econômica da medida.

A proposta, defendida por movimentos trabalhistas e por parte da base governista, passou a ocupar espaço central na agenda pública.

No Chama o Nery desta semana, o colunista do Estadão Pedro Fernando Nery fala sobre o assunto e lembra as críticas da deputada Erika Hilton a um estudo do economista Daniel Duque, da FGV, que estima uma possível perda de 3% a 7% do PIB a depender do formato da mudança na jornada de trabalho.

Para a deputada, o trabalho simplifica excessivamente a dinâmica econômica ao usar uma “fórmula inventada” para calcular os impactos.

Nery destaca, entretanto, que o estudo se baseia, na verdade, em uma identidade clássica do PIB, que considera número de trabalhadores, jornada média e produtividade.

Essa decomposição, longe de excluir ganhos potenciais, permite justamente avaliar compensações possíveis. Como aumento de produtividade, novas contratações e mudanças setoriais decorrentes de mais tempo livre para os trabalhadores.

O principal nó do debate, contudo, é a falta de clareza sobre a proposta em discussão, diz Nery. Há uma diferença relevante entre apenas substituir a escala 6×1 por 5×2 mantendo 44 horas semanais e reduzir a jornada máxima para 36 ou até 32 horas.

Portanto, sem definição precisa, especialistas alertam que qualquer projeção de impacto econômico permanece limitada e sujeita a interpretações divergentes.