Foto: Freepik
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*Artigo escrito por José Mauro Rocha de Barros, diretor regional da Associação Brasileira dos Mentores de Negócios, sócio fundador da Sociedade Yotta, conselheiro consultivo, membro do comitê Ibef Agro e do comitê qualificado de conteúdo de empreendedorismo e gestão do Ibef-ES.

Enquanto o ambiente empresarial contemporâneo privilegia crescimento acelerado e disrupções instantâneas, determinadas organizações adotam estratégia diversa: edificam relevância através de séculos.

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Este é o paradigma dos Hénokiens, consórcio seleto de empresas familiares que mantêm controle acionário sob a mesma linhagem há mais de 200 anos — algumas com mais de cinco séculos de operação contínua.

Originário da França, o grupo representa organizações que atravessaram conflitos, revoluções, colapsos econômicos e transições tecnológicas sem comprometer valores fundamentais.

Os critérios de admissão são rigorosos: longevidade mínima de dois séculos; controle familiar ativo; participação direta de herdeiros na gestão ou conselho; resultados financeiros sustentáveis e governança moderna equilibrando tradição com adaptação.

No contexto do Espírito Santo, com uma economia diversificada entre agronegócio, indústria e serviços logísticos, as diretrizes dos Hénokiens tornam-se particularmente relevantes. O ambiente empresarial local caracteriza-se por alta densidade de empresas familiares de médio porte em processo de sucessão e profissionalização.

A criação de valor perene depende da capacidade de formar sucessores, preservar reputação, institucionalizar valores e praticar governança com visão de longo prazo.

Marcas capixabas expressam essa mentalidade de permanência com inovação. O Grupo Águia Branca evoluiu de uma transportadora rodoviária para referência nacional em soluções logísticas multimodais.

O Grupo Buaiz diversificou sua atuação entre alimentos, comunicação e serviços mantendo coerência de propósito.

Empresas que atravessam séculos

Empresas centenárias equilibram duas forças: estabilidade dos princípios e fluidez da estratégia. Internacionalmente, casos como o da holandesa DE KUYPER (bebidas, 1695), o da italiana Beretta (armamentos, 1526) e o da japonesa Hoshi (hotelaria, 717) ilustram o mesmo princípio: preservar identidade enquanto se moderniza continuamente.

Essas organizações compartilham uma prática em comum: cuidar dos ativos familiares invisíveis — reputação, narrativa histórica, valores, redes de confiança e cultura empresarial.

O fortalecimento desses ativos intangíveis deve integrar a estratégia de qualquer organização que almeje perenidade. Sua gestão exige mais que preservação passiva: demanda estrutura, disciplina e intencionalidade.

Empresas que atravessam séculos não sobrevivem por acaso, mas por escolha deliberada em manter coerência do que são, enquanto se transformam no que precisam ser.

Por fim, no Espírito Santo, a longevidade empresarial pode — e deve — ser concebida como diferencial estratégico.

Construir negócios duradouros implica adotar práticas de governança, investir em sucessão qualificada, preservar capital simbólico familiar e alinhar uma  visão de longo prazo à execução no presente. Portanto, este é o alicerce da perenidade com propósito.

Este texto expressa a opinião do autor e não traduz, necessariamente, a opinião do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Espírito Santo.

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