
A assinatura do termo de compromisso da GWM para instalar uma fábrica em Aracruz marcou um novo capítulo da industrialização capixaba. O governador Renato Casagrande fez questão de frisar que se trata de um projeto industrial completo. “A indústria de automóveis não é montadora, é uma indústria mesmo de veículos que será aqui no Parklog, em Aracruz. Não será apenas umas montadora, mas uma fábrica de fato”, afirmou. Ele destacou que a decisão representa mais do que a simples montagem de carros.
Casagrande ressaltou ainda que a formalização simboliza a maturidade do ambiente de negócios capixaba. “É uma notícia importante para toda a economia capixaba, porque a indústria de automóveis traz outras indústrias e fornecedores junto com ela. Do mesmo modo qualifica a mão de obra bem como mostra o bom momento que estamos vivendo no Estado”.
O termo de compromisso encerra uma disputa silenciosa e altamente estratégica. A concorrência pela nova fábrica da montadora chinesa havia se afunilado entre Espírito Santo e Paraná, após a saída de São Paulo e Santa Catarina da corrida. Representantes da GWM chegaram a sobrevoar de helicóptero áreas de Aracruz e a circular pela região em visitas técnicas, avaliando a infraestrutura logística, portuária e industrial disponível.
GWM aposta em Aracruz
Entre os fatores decisivos para a escolha de Aracruz estão os portos, a futura Zona de Processamento de Exportação (ZPE) e os investimentos concentrados na plataforma ParkLogBR/ES. A própria GWM já utiliza o Espírito Santo como principal porta de entrada de seus veículos no Brasil, movimentando importações por meio da trading Comexport.
Além da logística, o desempenho comercial da GWM no mercado capixaba ajudou a consolidar o Estado como vitrine da marca. Das mais de 2 mil unidades vendidas pelo Grupo Líder em 2025, cerca de 80% tiveram o Espírito Santo como destino. A aceitação surpreendeu até mesmo os concessionários, com cidades como Linhares registrando médias mensais de vendas acima do esperado.
Carro chefe da marca
O bom momento é puxado principalmente pelo Haval H6, responsável por cerca de 80% das vendas da marca, seguido por modelos como Ora e Tank. O portfólio ganha reforços com a chegada de novos utilitários e da picape Poer, ambos importados da China, onde a GWM detém metade do mercado de picapes.
Embora a decisão final sobre o cronograma completo da nova planta esteja prevista para ser detalhada pela própria empresa a partir deste ano, o termo de compromisso assinado agora é visto como um divisor de águas. Ele antecipa impactos positivos sobre emprego, cadeia de fornecedores e qualificação profissional, além de fortalecer a imagem do Espírito Santo como destino industrial competitivo.