
Com o lançamento do balanço imobiliário de dezembro do Fipezap, nesta terça (6) Vitória se destaca como a capital com o metro quadrado mais caro do país. Entre todas as cidades, a capital capixaba está em terceiro, mesmo com a média dos preços de imóveis em Vitória crescendo apenas 0,04% no mês.
Além disso, a capital já se destaca como a melhor cidade para se viver no Brasil, segundo ranking feito pela revista Veja juntamente com a agência de classificação de risco Austing Rating.
No Brasil, a valorização imobiliária aumentou cerca de 6,52% no acumulado do ano de 2025, chegando a R$ 9.611/m². Já a capital do ES apresentou +15,13% em 2025. Isso significa que o preço de imóveis teve valorização maior do que o custo de vida médio da população.
Nesse sentido, segundo o estudo, Vitória é a capital com o metro quadrado mais caro do país, a R$ 14.108, e a terceira cidade do país, atrás apenas de Balneário Camboriú (SC), R$ 14.906 e Itapema (SC), R$ 14.843.
Mercado imobiliário capixaba
O Folha Vitória consultou dois especialistas em economia e mercado imobiliário para entender quais são os fatores que tornam Vitória a capital mais valorizada no país.
Ricardo Gava é diretor da Gava Crédito Imobiliário, integrante da Ademi/Secovi-ES, e trabalha há quase duas décadas no ramo de crédito imobiliário. Segundo ele, boa qualidade de vida, boa infraestrutura, economia baseada em serviços e limitação geográfica são os principais pontos que favorecem o elevado custo do metro quadrado. Por ser uma cidade-ilha, há pouco espaço para expandir.
A oferta restrita e a alta procura nos bairros consolidados elevam o valor do metro quadrado.
Ricardo Gava, diretor da Gava Crédito Imobiliário
Gava ainda entende que Vitória acaba sendo também o destino de famílias de maior renda. “A rotina mais simples, a mobilidade curta, a segurança relativa e a proximidade com o mar tornam Vitória atraente. É um perfil que vem crescendo pela busca por qualidade de vida”.

Já Luiz Henrique Stanger está desde 2008 no mercado imobiliário e é sócio fundador e diretor comercial na Lopes Dynamo. Ele tem foco em gestão patrimonial de imóveis e acredita que Vitória ser uma ilha é um dos principais fatores para a alta valorização.
Vitória é uma ilha e cerca de 25% do seu território é formado por áreas de reserva, como as regiões próximas à Fonte Grande e Maruípe. Outros 25% estão ocupados pela área do aeroporto, que fica em uma zona estratégica e central da capital. No restante do território, há diversas restrições para construção. O número de famílias que podem ocupar cada terreno é muito baixo, já que não é permitido erguer edifícios altos que comportem mais moradores por área.
Luiz Henrique Stanger, sócio fundador e diretor comercial na Lopes Dynamo
Stanger chama atenção para a falta de expansão de serviços, comércio e mobilidade urbana na cidade. Para ele, se a mobilidade urbana fosse mais fluida, não só a capital mas a Grande Vitória seria melhor ocupada.
Dados podem mentir
Segundo os especialistas, os dados apresentados pelo FipeZap podem ser, de certa forma, um pouco questionados. Isso porque as informações são decorrentes de valores iniciais de vendas, desconsiderando descontos.
Gava e Stanger afirmam que o valor final costuma ser menor após negociação, pois os índices mostram mais a percepção de valor do mercado do que o preço efetivo das transações, com dados coletados de anúncios.
Regiões com potencial de crescimento
Questionado sobre o mercado imobiliário da capital e quais regiões são vistas como grandes potenciais da cidade, Ricardo Gava aponta para o potencial em áreas sujeitas a melhorias urbanas e revitalização. Ele destaca o Centro como uma dessas áreas.
Segundo ele, em caso de os projetos de revitalização avançarem, o Centro de Vitória pode recuperar protagonismo e atrair novos investimentos. Além disso, setores próximos a eixos de mobilidade tendem a acompanhar esse movimento, sempre dependendo do planejamento urbano.
Requalificações urbanas — como ciclovias, melhorias viárias e revitalização de orlas — aumentam circulação, atraem novos negócios e elevam a percepção de cuidado com o bairro. O mercado reage rapidamente a essas transformações.
Ricardo Gava, diretor da Gava Crédito Imobiliário

Por fim, Luiz Stanger enxerga potenciais na pedreira de Joana D’arc e Maruípe. Além de destacar Bento Ferreira, por ser um bairro planejado com ruas largas e grandes terrenos com bom potencial.
Bairros tradicionais como Jardim da Penha e Jardim Camburi já estão totalmente ocupados, o que limita novas oportunidades e empurra o crescimento para outras áreas da Grande Vitória.
Luiz Henrique Stanger, sócio fundador e diretor comercial na Lopes Dynamo
- Texto com a supervisão de Edu Kopernick