
Ele nasceu como fintech aqui no Espírito Santo e fez sucesso no Brasil todo. Depois, foi vendido para o Banco Master e agora o Banco Central decretou sua liquidação. O capixaba de nascimento Will Bank teve ascensão e queda meteóricas. O banco digital nasceu para atender, sobretudo, o público que nunca teve acesso ao sistema bancário tradicional. Nesse sentido, os produtos de entrada foram a conta digital e cartão sem anuidade. A operação ganhou escala especialmente fora do eixo Sudeste.
A empresa nasceu em Vitória em 2017, ainda como Pag!. Depois reposicionou a marca e o modelo para se tornar o Will Bank, numa trajetória de crescimento acelerado puxada por crédito e serviços massificados.
Com o avanço da base de usuários e a estratégia de expansão, o banco virou um dos “cases” mais conhecidos de fintech fundada no ES. Do mesmo modo teve tração relevante no Nordeste e em cidades menores. Na virada de 2021, o Will recebeu um aporte de R$ 250 milhões de investidores. Alguns deles a XP (via fundo de private equity) e Atmos, movimento que ajudou a financiar a escalada do negócio.
Venda do Will para o Master
O ponto fora da curva veio em fevereiro de 2024. Foi quando o Banco Master anunciou a compra do controle do Will Bank, incorporando a operação ao seu braço de varejo. Na época do anúncio, o Will tinha cerca de 6 milhões de clientes e havia registrado faturamento/receita de R$ 2,8 bilhões no ano anterior. Ou seja, com esses números, se transformou no braço digital do Master.
Com base em informações do Banco Central, o Will encerrou o primeiro semestre de 2024 com R$ 14,4 bilhões em ativos. Do mesmo modo teve prejuízo de R$ 244,7 milhões e patrimônio líquido em torno de R$ 300 milhões. Aí que entra o alerta. O retrato é de crescimento com rentabilidade. No entanto há pressão e capital relativamente enxuto para o tamanho da operação.
O valor que o Banco Master pagou pelo controle do Will Bank não é público. Depois de incorporado ao conglomerado, o banco digital seguiu expandindo a base. Nesse sentido, fontes extraoficiais citam cerca de 9 milhões de clientes. Pelo menos até o desfecho recente da crise no grupo Master e a liquidação extrajudicial do Will pelo Banco Central.
Desembolso do FGC com dívida do banco digital
O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) deve desembolsar cerca de R$ 6,5 bilhões para honrar os depósitos de investidores do Will Bank. Essas são estimativas preliminares. Ou seja, a conta que o FGC vai pagar no caso do Banco Master deve subir. Nesse sentido, vai passar dos atuais R$ 40,6 bilhões para um número mais próximo de R$ 47 bilhões. É o maior valor da história.
Para chegar a uma cifra oficial, vai ser necessário esperar. O liquidante do Will Bank e do Master, Eduardo Félix Bianchini, vai elaborar uma relação de todas as garantias a quitar. Do mesmo modo, esse processo normalmente demora cerca de 30 dias, mas o prazo pode se estender, a depender da complexidade do trabalho. Após a obtenção da lista, o pagamento pelo FGC deve seguir os trâmites normais.
Segundo pessoas a par do tema, parte das garantias da instituição já estão contabilizadas na cifra inicial, de R$ 40,6 bilhões. Os R$ 6,5 bilhões adicionais dizem respeito a investimentos feitos antes desse prazo.