A estudante Bárbara Rezende Martinelli, de 17 anos, viveu uma experiência histórica: teve seu projeto científico aprovado e lançado ao espaço pela Agência Espacial Americana (Nasa).
O experimento, realizado no último dia 21 de agosto, integrou a missão internacional STEM – Experiment on NASA Flight RB-10, que reuniu jovens de diferentes países.
O trabalho consistiu no envio de sementes ao espaço em balões atmosféricos. A proposta é analisar como a radiação solar interfere na germinação e no crescimento das plantas. Após o retorno à Terra, cada integrante da equipe internacional receberá parte das sementes para realizar estudos comparativos em seus países de origem.
Veja imagens do envio do balão:
Estudante participou de seleção internacional
Bárbara foi escolhida após um processo seletivo, representando o Brasil ao lado de um estudante do Paraná, ou seja, apenas dois brasileiros foram selecionados.
O projeto de Bárbara foi guiado pelo professor Luiz Gustavo Gomes, responsável pelo Atendimento Educacional Especializado (AEE) em Altas Habilidades/Superdotação na Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio (EEEFM) Irmã Maria Horta, em Vitória.
O projeto é global e liderado por Nicole Haragutchi, estudante norte-americana e fundadora da organização Innovation International, que conecta jovens pesquisadores de diferentes países.
Além do Brasil, participaram estudantes dos Estados Unidos, Gana, Libéria, Arábia Saudita e Filipinas.
Veja como foi o envio:
Orgulho e motivação
Em entrevista ao Folha Vitória, Bárbara contou os detalhes de como foi o processo de elaboração do projeto até a fase final:
Existe um concurso da Nasa em que podemos propor experimentos para serem enviados em cubos ao espaço. Nosso grupo decidiu mandar sementes para analisar os efeitos da radiação na germinação. Quando recebemos a notícia de que o projeto foi aceito, foi emocionante. Pessoas que eu nem conhecia começaram a me procurar para saber mais. É gratificante ver esse interesse pela ciência.
Bárbara Rezende
A estudante destacou ainda a expectativa pelo retorno das amostras, quando serão comparadas as sementes enviadas ao espaço com aquelas que permaneceram na Terra. “Será incrível observar as diferenças e entender melhor como o ambiente espacial interfere no crescimento das plantas”.
Poder da educação
O professor Luiz Gustavo Gomes ressaltou o impacto da conquista ao lembrar que, desde 2014, atua com alunos de altas habilidades na rede pública e busca oportunidades para revelar talentos que muitas vezes passam despercebidos.
Para ele, ver uma estudante da escola estadual participar de um projeto da Nasa representa não apenas um marco individual, mas também um exemplo do poder transformador da educação.
É muito gratificante ver uma aluna da rede pública chegar tão longe. Ver a Bárbara participar de um projeto da NASA é emocionante e mostra como a educação pode transformar vidas.
Luiz Gustavo Gomes
Segundo ele, a participação nesse tipo de iniciativa estimula outros estudantes.
“Esses jovens muitas vezes ficam tímidos, escondendo suas habilidades. Nosso papel é identificar, incentivar e dar visibilidade. A Bárbara é dedicada, talentosa e merece esse reconhecimento.”
Inovação e protagonismo estudantil
A experiência proporcionou aprendizado interdisciplinar, que uniu biologia, física, geografia, química e até o inglês, já que a comunicação com os colegas de outros países exigiu troca constante em outra língua.
O projeto ainda está em andamento, já que os estudantes aguardam o envio das sementes que viajaram à estratosfera para dar continuidade às análises. Mas, independentemente dos resultados científicos, a participação de Bárbara já se tornou um marco para a comunidade escolar e um exemplo para outros jovens capixabas.