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'O Signo das Tetas' segue o formato on the road

Entretenimento

'O Signo das Tetas' segue o formato on the road

São Paulo - E no terceiro dia da Mostra Aurora, houve o click, com O Signo das Tetas, de Frederico Machado, do Maranhão. O filme foi exibido à noite no Cine-Tenda. À tarde, em outro foro da Mostra de Tiradentes, a Mostra Dissonâncias, houve a exibição do curta Ossos, de Helena Ignez. Já foram propostas aqui coisas interessantes, intrigantes, mas com esses dois filmes a Mostra começou para valer. O de Fred, e vale destacar que ele é o proprietário da Lume, empresa que, nos últimos anos, formou uma importante carteira, lançando em DVD clássicos norte-americanos, europeus e também raridades brasileiras (os filmes dos Cariry, Rosemberg e Petrus), segue o formato de estrada.

On The Road.

O protagonista é um homem maduro que cai na estrada atormentado por uma lembrança, a dos seios da mãe, as tetas do título. Um homem na paisagem, que ele percorre de carro, bicicleta, moto, a pé. Num lugarejo, no bordel, encontra a mulher, uma prostituta, com quem faz sexo. Voltam os seios, e há uma situação de violência. O fantasma de Sam Peckinpah, o de Tragam-me a Cabeça de Alfredo Garcia e de outros filmes que se passam na fronteira mexicana, assola o bordel (e o protagonista) do filme de Fred. Uma cena pós-créditos não tem finalidade narrativa nenhuma. Mostra o (anti)herói adormecido. É nada, pode ser tudo, depende do olhar do espectador.

Mais que características de produção e floreios narrativos - está havendo muita descontinuidade e fragmentação forçadas nos filmes da Mostra Aurora deste ano -, é o ponto de vista do espectador que talvez forneça a definição/localização de um cinema contemporâneo. O Signo das Tetas não se ‘fecha’. Termina em aberto. Tudo o que se viu em 73 minutos, seu tempo de duração, só faz sentido se o público preencher os vazios do relato. É fascinante.

O Signo das Tetas trabalha muito os corpos dos atores, sobre os corpos, que não são necessariamente belos. O strip-tease da prostituta madura poderia ser grotesco, se a imersão do espectador não lhe conferisse uma dimensão mais intensa, visceral. Helena Ignez também faz cinema com os corpos, sobre os corpos. Ela própria define seu novo trabalho como um happening. Baseia-se na Classe Morta, de Tadeusz Kantor. Corpos em movimento, palavras (de ordem), conceitos que definem/teorizam o fazer da arte. E, assim como Frederico Machado usa Franz Schubert em seu filme, Helena, ex-mulher de Glauber Rocha, viúva de Rogério Sganzerla, usa Villa-Lobos, as Bachianas, que o primeiro incorporou na trilha de Deus e o Diabo na Terra do Sol. É deslumbrante.