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'Clarisse' é apresentado na Mostra de Tiradentes

Entretenimento

'Clarisse' é apresentado na Mostra de Tiradentes

São Paulo - À noite realizam-se as sessões da mostra principal (Aurora) aqui em Tiradentes. Pela manhã, ocorrem os debates. À tarde, a Mostra de Tiradentes realiza seminários. Não deixam de ser interessantes. Qual é o mercado do cinema de autor, como é o da Aurora? Os festivais, nacionais e - os mais cobiçados - internacionais. Tiradentes traz representantes dos maiores festivais do mundo. Selecionador da seção Quinzena dos Realizadores, de Cannes, Paolo Trotta encantou-se com os filmes e a participação do público jovem. Em breve saberemos se Cannes morderá a isca de Tiradentes.

Filho de cineasta - Rosemberg Cariry -, Petrus já é autor de uma obra que se consolida cada vez mais. A representação do sertão difere de O Grão para Mãe e Filha. Ambos os filmes compõem uma trilogia sobre a morte com Clarisse ou Alguma Coisa Sobre Nós Dois, que integra a mostra Transições. O filme difere dos anteriores do diretor, até por abandonar o sertão e situar-se na classe alta. Petrus flerta com o cinema de gênero, e com o terror. Seu filme começa e termina com cenas de sexo. Entre elas, a personagem de Sabrina Greve revisita a casa da infância. Faz descobertas que provocam uma ruptura radical. A dúvida que fica é se, no desfecho, ela se liberta ou assume um comportamento autoritário ‘de classe’.

Taego Ãwa, de Henrique Borela e Marcela Borela, foi o segundo filme de índios da Mostra Aurora. Outro documentário - não uma busca do tempo perdido (como Índios Zoró - Antes, Hoje e Agora?, exibido na segunda, 25), mas uma viagem pela experiência brutal dos ãwas, os índios tupis que mais resistiram à dominação branca no Brasil Central e que ainda lutam pela demarcação de suas terras. O filme tem cenas ótimas que se inscrevem no tema da mostra - espaços em conflito. Os remanescentes em choque com a própria tradição. Duas delas são exemplares - quando os índios se pintam, e só o patriarca mantém esse segredo, e a caçada ao cervo. Também positivo é o fato de que, quando os ãwas falam, são traduzidos. Não estão ali só para expressar as angústias dos autores. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.