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Cineasta Jeunet é convidado de honra do Festival Varilux

Entretenimento

Cineasta Jeunet é convidado de honra do Festival Varilux

São Paulo - Jean-Pierre Jeunet sentiu-se honrado ao descobrir, por meio do repórter, que grandes cineastas como Francis Ford Coppola e Abbas Kiarostami o antecederam dando aulas magnas na Faap. O diretor francês de O Fabuloso Destino de Amélie Poulain integra o grupo de artistas franceses que estão no Brasil para prestigiar o Festival Varilux que começa nesta quarta-feira, 9. O grupo dá entrevista coletiva em São Paulo e, a partir desta quinta-feira, 10, no Rio, concede individuais. Jeunet deu nesta terça-feira, 8, à tarde sua aula. Isabelle Huppert chega no começo da próxima semana.

Jeunet apresenta o novo longa, Uma Viagem Extraordinária. "Poderia ter feito com produção norte-americana, mas preferi fazer com capitais canadenses e francesas. A lei de autor da França me garante o final-cut. Os americanos não reconhecem a montagem do diretor. Os Weinstein, que compraram os direitos de Viagem, estão com o filme parado há um ano. Querem remontar, eu não deixo. Desse jeito, o filme não sai."

Como foi então que embarcou na aventura de Alien 4 - A Ressurreição (em 1997)? "Aquele foi um filme de encomenda que aceitei fazer. E os produtores foram muito corretos. Deram sugestões, mas nunca entraram em choque com minha concepção. Tanto que, quando quiseram lançar o director’s cut em DVD, frustrei a expectativa deles. O corte dos cinemas me bastou."

Jeunet adora esses contatos com estudantes de cinema. Desfruta todas as etapas da realização dos filmes. "Só não gosto de dar entrevistas", ri. Conta que todos os seus filmes tiveram e têm storyboard. Alguns chegaram a ser publicados em livros, ou integram os extras dos DVDs. O que o storyboard lhe dá? "Segurança, economia de tempo. E também me permite estabelecer com precisão o custo." Dinheiro é sempre problema. "Meus filmes têm uma abertura para o poético e o maravilhoso. Não são fantásticos. Odeio o fantástico, que é coisa da série Senhor dos Anéis. O que me interessa é criar um universo que seja alternativo à banalidade do cotidiano. Isso tem um preço. Meus filmes são mais caros que a média francesa."

E a crítica? "Tenho meus apoiadores, mas há uma crítica que me odeia. Os intelectuais parisienses de Cahiers du Cinéma." Isso incomoda? "Todo mundo gosta do que eu faço quando a origem é Hollywood. Amélie Poulain virou um fenômeno de sociedade, mas tem gente que acha Alien meu melhor filme." Um filme de que ele goste muito? Cidade de Deus, de Fernando Meirelles. "É extraordinário." E Uma Viagem Extraordinária? "Como todos os meus filmes, é uma variação da história do Pequeno Polegar. O garoto inventor é esmagado pela culpa. Sente-se responsável pela morte do irmão." A única preocupação de Jeunet - o horário da aula era o mesmo do jogo entre Paris Saint Germain. "Pedi para gravarem. Não sou torcedor fanático do SG, mas gosto de jogos bem jogados." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.