Gilberto Braga culpa São Paulo pela baixa audiência de Babilônia: 'Paulista é esquisito'

Entretenimento

Gilberto Braga culpa São Paulo pela baixa audiência de Babilônia: 'Paulista é esquisito'

O autor disse que, após as pesquisas encomendadas para acertar o trilho da trama, a audiência respondeu no Brasil, mas, em São Paulo, Babilônia seguiu patinando

Gilberto Braga revelou que está 'deprimido' com a audiência Foto: Divulgação

Gilberto Braga resolveu falar sobre a baixa audiência de 'Babilônia', trama escrita por ele em parceria com Ricardo Linhares e João Ximenes. Em entrevista ao jornal O Globo, o autor desabafou e colocou a culpa da baixa audiência nos paulistas.

Gilberto contou que fica deprimido com os resultados ruins e que deseja um presente no seu aniversário de 70 anos: "Ganhar de I love Paraisópolis”.

"Basicamente, a novela chocou por causa do beijo gay e porque tinha pouco amor e muito sexo. Mas não foi só o beijo. Foi incontável o número de pessoas com quem a Gloria Pires fez sexo. O primeiro capítulo tinha coisas chocantíssimas. Mas depois das mudanças, a audiência não subiu em São Paulo. Até agora eu sofro a humilhação pública diária de perder para a novela das 19h, I love Paraisópolis”.

O autor disse que, após as pesquisas encomendadas para acertar o trilho da trama, a audiência respondeu no Brasil, mas, em São Paulo, Babilônia seguiu patinando.

"Não acompanho 100% o que falam nas redes sociais, mas sei que gostam da novela. O que chega a mim é positivo. Mas paulista é esquisito. Um dos meus melhores amigos é o Silvio de Abreu. Ele fez o personagem Jamanta (em “Torre de Babel”, de 1998). Odeio Jamanta e falei: “Jamanta de novo?” (quando ele voltou em “Belíssima”, de 2005). Ele disse: “É um fenômeno paulista. Fora de São Paulo ninguém suporta, mas lá é um sucesso. Por isso que eu botei”. Acho que o problema está aí. Não sei escrever para quem gosta de Jamanta. Meu universo é anti-Jamanta".

Satisfeito com as mudanças na trama, Gilberto comentou que não entende o motivo da audiência não subir. O núcleo de Aderbal Pimenta (Marcos Palmeira), do casal Laís e Rafael (Luisa Arraes e Chay Suede) e a história do casal lésbico, segundo Gilberto, foram pontos acertados da novela. Contudo, o gancho policial em torno do assassinato do pai de Regina (Camila Pitanga) não o agrada.

"Não gosto muito da trama policial. Acho meio errada e vamos acabar com isso em breve. Vimos no primeiro capítulo o assassinato. O único suspense é se vão provar a culpa da Beatriz. E é pouco. Nos próximos capítulos, alguém vai armar para a Regina (Camila Pitanga) perder a licença da barraca. Será um novo mistério".

Com pena das mulheres que "lamentaram o fato de ele ser gay na novela", o autor resolveu mudar a orientação sexual do personagem de Marcos Pasquim.

"Mesmo em casas em que há mais de um aparelho de TV as pessoas gostam de ver a novela juntas. E certas coisas que o adulto aceita ele não quer ver ao lado de uma criança. Foi o caso do beijo. Nenhum adulto se choca com a Fernanda Montenegro beijando a Nathalia Timberg, mas não quer ver ao lado do filho porque não sabe como explicar".

Apesar do fracasso de Babilônia, Gilberto não vai desistir de escrever novelas: "Gosto de fazer sucesso e vou fazer as concessões que forem necessárias para o público gostar. Seria arrogante achar que sou o maioral".

Braga também disse que o clima entre o elenco e entre os autores é amistoso, sem brigas. Ele, no entanto, se diz "deprimido".

"Tenho uma psiquiatra e quando estou deprimido converso com ela. Sou dependente de remédios, tomo muito Rivotril. Tomo remédio o tempo todo. O remédio me protege, mas tudo me atinge. Eu perdi meu pai com 17 anos e tomo remédio desde essa época. Minha mãe se matou quando eu tinha 27 anos. Tive uma vida difícil. Isso de certa forma fortalece a gente, mas nos deixa dependente de remédios".

Com informações do R7.