Obra de 1967 volta restaurada e resgata Jacques Demy

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Obra de 1967 volta restaurada e resgata Jacques Demy

Redação Folha Vitória

São Paulo - Em 1992, no primeiro ano do repórter no Festival de Cannes, Agnès Varda mostrou seu documentário Les Demoiselles Ont Déjà 25 Ans. Há um culto a Jacques Demy. Varda, sua eterna viúva, é a oficiante. Nos anos 1960, alguns críticos viram na Palma de Ouro para Os Guarda-Chuvas do Amor a degradação do espírito nouvelle vague. O lirismo de Demy seria mentiroso. Como, se estava na cara de todo o mundo? Os Guarda-Chuvas podia ter canto e dança, mas certamente não era alienado, nem alienante.

Guerra da Argélia, consumismo, o desejo de segurança da classe média - estava tudo lá. Catherine Deneuve prometia a Nino Castelnuovo, que partia para a guerra - "Je vous attendrai toujous." Vou te esperar sempre - mas não esperava. Na sequência, surgiu outro musical. Les Demoiselles de Rochefort - Duas Garotas Românticas. Catherine, de novo, e a irmã Françoise Dorleac, morta precocemente, num acidente de carro, em 26 de junho de 1967.

Agnès Varda voltou este ano a Cannes e ganhou o prêmio de documentário - L’Oeil d’Or, o Olho de Ouro - por Visages Villages, que correalizou com JR. Um dos mais belos filmes do festival, talvez não exatamente um documentário. Um ensaio poético, um docudrama - nas bordas, uma ficção, por que não? Varda e JR caem na estrada. Encontram pessoas, que ele fotografa. As fotos ampliadas viram intervenções nas paisagens.

Les Demoiselles, em 1992, faziam 25 anos. Em 2017 fazem 50 anos. Les Demoiselles ont déjà 50 ans. Na tela, continuam eternamente jovens. Catherine, Françoise, Madame Danielle Darrieux, que em maio completou seu centenário, e o musical. Canto e dança com Gene Kelly e George Chakiris. Duas Garotas Românticas (título brasileiro) é o clássico resgatado dessa edição do Festival Varilux. Decorrido meio século, houve o reconhecimento para Demy e La La Land, de Damien Chazelle, que ganhou o Oscar, é cria dele. O cinema, segundo Jacques Demy, é um sonho. Mas nos seus musicais e contos de fadas (o psicanalítico Pele de Asno), o sonhar é acordado. O que interessa é sempre a realidade. Redescobrir Demy, e as garotas românticas, será um dos prazeres desse festival.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.