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'Labirinto' traz desenhos do artista Alex Cerveny

Entretenimento

'Labirinto' traz desenhos do artista Alex Cerveny

São Paulo - O artista plástico Alex Cerveny sempre quis fazer um livro em que texto e imagem se relacionassem de uma forma não óbvia e não hierárquica. "Um livro em que as possibilidades estão ali latentes e acontecem durante a leitura dependendo de cada tipo de olhar", completa. Em 2012, visitando o sebo Ztichlá klika, em Praga, se encantou com o acervo de livros de poesia das décadas de 1950 e 1960 produzidos artesanalmente mesclando tipografia e gravura, feitos em apenas duas cores e impressos num bom papel. Foi o suficiente para que na volta ele procurasse a poeta Beatriz Di Giorgi, sua amiga.

Juntos, eles escolheram Beto Furquim para ajudá-los na empreitada de selecionar os desenhos e poemas e organizá-los em livro. O resultado é Labirinto, que será lançado nesta quinta-feira, 14, com projeto gráfico de Luciana Facchini.

Furquim conta que na hora de escolher o material buscou promover um diálogo múltiplo e sutil, que abrisse muitas possibilidades de leitura, e evitasse as correspondências óbvias tanto na escolha das obras quanto na montagem da sequência. "Quanto à seleção, procurei aproximações - sempre subjetivas - entre os trabalhos do Alex e da Beatriz, que são muito ricos e diversificados. Foi mais difícil escolher os poemas, pois havia um corpus gigantesco. O Alex me aliviou parte do trabalho ao fazer uma pré-seleção."

Cerveny, que recentemente fez dois trabalhos importantes para a Cosac Naify - as ilustrações de Decameron, de Boccaccio, e de As Aventuras de Pinóquio: História de Um Boneco -, explica sua escolha: "Busquei desenhos feitos apenas de linha, que tivessem um bom potencial gráfico e um traço poético. A representação do corpo humano é um denominador comum também."

Na hora de organizá-los, Furquim teve a preocupação de conferir uma certa assimetria na distribuição das linguagens. "Às vezes há três desenhos seguidos, sem nenhum poema entremeado; às vezes uma alternância maior. A ideia é que isso sugira outros tipos de diálogos internos entre as obras, que não apenas entre certo poema e o desenho ao seu lado", explica.

Beatriz Di Giorgi é advogada e atua na área de família e como conciliadora judicial. E escreve desde menina. "O espaço da poesia em minha vida é enorme e visceral. Escrevo versos desde os sete anos de idade sem parar e costumo declamá-los em eventos. A seleção sintetiza diversas facetas do meu trabalho. Algo que eu não seria capaz de fazer tão bem. E a organização dos poemas ao lado dos desenhos conjuga texto e imagem de forma elegante, equilibrada e inquietante", comenta a poeta. Estão, na obra, textos produzidos em diversos momentos e que tratam, entre outros temas, da passagem do tempo.

O organizador comenta o resultado do trabalho. "Embora haja pontos em comum entre a personalidade artística dos autores, o diálogo entre esses poemas e desenhos é novo, provocado pela proximidade que adquiriram no livro. São muitos possíveis diálogos, como um jogo de espelhos, que justifica de certa maneira o título Labirinto. Não há um mapa. Parte do meu trabalho foi evitar as associações fáceis, afastar a lógica para que esse labirinto pudesse, como acho que pode, ser percorrido a partir de qualquer entrada." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.