Em Belém, Arthur Espíndola cria o 'samba amazônico'

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Em Belém, Arthur Espíndola cria o 'samba amazônico'

Redação Folha Vitória

São Paulo - O próprio criador já tem nome para sua criatura: "samba amazônico". Arthur Espíndola, de 30 anos, é um jovem de Belém do Pará que conhece bem as batidas de sua terra. Seu primeiro álbum, de nome Tá Falado, coloca em prática o que ele viveu em uma temporada de cinco anos no Rio e estudou em escolas de música de Belém. Arthur explica de onde sai sua sonoridade.

"Fazemos aqui o samba com carimbó", define ele. A percussão do tantã é substituída pelo artesanal curimbó, assim como o reco-reco sai para entrar o maracá. O banjo do carimbó também é uma atração à parte. Só conhecido na região, tem seu corpo feito com frigideira e suas cordas produzidas com linhas de pesca. O braço é de um tronco de árvore e a caixa, revestida com couro. A caixa de marabaixo, ritmo muito usado na vizinha Macapá, Amapá, também tem espaço.

As células rítmicas do samba foram estudadas para que pudessem ser combinadas com frações de batidas do carimbó e do boi-bumbá. "A gente chega à conclusão de que são ritmos primos", diz ele, que toca todos os instrumentos de percussão.

Arthur fala como um defensor do samba de sua terra, e lamenta o fato de não ser reconhecido fora de suas fronteiras. "Temos uma história de samba muito grande no Pará. Já tivemos o quarto maior carnaval do Brasil, mas continuamos vivendo como se fôssemos um outro país." Dos grupos que já fizeram história em Belém, ele lembra do Manga Verde. "Esses caras já venderam muito por aqui, ganharam disco de ouro. Mas não chegaram a fazer a junção de ritmos regionais com samba. Tocavam o carimbó separado."

O disco de Arthur Espíndola, que diz nem pensar em seguir carreira fora do Pará, conta com a participação de Gabi Amarantos, da Velha Guarda da Mangueira e da cantora Luê. No próximo dia 14, vai ao Rio de Janeiro para gravar um DVD, que terá participações de outros nomes grandes, como o baterista Wilson das Neves e da conterrânea Fafá de Belém." Ele diz que os tempos de supremacias regionais não existem mais. "O samba é como a língua portuguesa. É falado com sotaques, mas se tornou brasileiro faz tempo." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.