Eloisa Fernandes e Bruno Stov: as feras do tiro esportivo paralímpico

Eloisa Fernandes  e Bruno Stov são cadeirantes e já nasceram com lesão. Passaram a vida sob cadeira de rodas trilhando metas e lutando pelos seus sonhos.  E há menos de dois anos a dupla descobriu um talento em comum: o tiro esportivo. Hoje as duas feras representam o Espírito Santo lá fora, sendo as maiores promessas da modalidade do nosso Estado. Se a trajetória ainda é curta, os resultados são expressivos: eles já levaram medalhas para casa em competições do alto rendimento.

Conheça a história de cada um:

Eloisa Fernandes a primeira mulher medalhista do tiro esportivo  do Espírito Santo (pistola de arma curta – pistola de ar comprimido, 10m)

(Foto: André Sobral)
(Foto: André Sobral)

Eloisa tem 33 anos, é casada, sem filhos e conta que descobriu o esporte em 2010. Na ocasião ela foi diagnosticada com um tumor nas vértebras e para aliviar das dores, deu braçadas na natação, conquistando medalhas onde chegou a ser a terceira melhor atleta nacional. Só que o destino mudou completamente: com lesão no ombro, Eloisa saiu da piscina e foi convidada a praticar o tiro esportivo. “ Eu amava a adrenalina da natação. Recebi convite para o tiro e no primeiro momento, não achei interessante. Depois comecei a conhecer mais o esporte, a me dedicar,  participar de competições e logo vi que não era assim.”

A primeira competição foi em julho de 2015. Foi com essa experiência, que enxergou que podia chegar perto de grandes atletas, como as meninas da seleção brasileira de tiro esportivo. “Quando percebi que tinha condição para competir com essas grandes atletas, passei a me dedicar mais. O resultado veio em novembro de 2015, quando subi ao pódio e recebi a medalha de bronze.”, conta Eloisa, que após receber a medalha, descobriu que era a primeira mulher do Espírito Santo a subir ao pódio pela modalidade. “Achei esse o máximo!”, contou.

Na primeira competição de 2016, repetiu o pódio. Em fevereiro viajou até Brasília e trouxe mais um bronze na bagagem. “Competi com meninas do Brasil todo e cheguei à final com quatro atletas. É bom olhar para o lado do pódio e ver atletas como a Débora Campos, da seleção brasileira, que é referência”.

Sobre Paralimpíadas Rio 2016, Eloisa diz que a seleção brasileira está praticamente fechada. “Para as Paralimpíadas a equipe já esta formada . Pode ser até que abra mais vagas, mas  não crio  expectativas. O tiro é um esporte que não tem idade. O que manda é o gatilho e o dedo. Meu sonho maior agora é ser um dia convocada para a seleção brasileira. Quem sabe na equipe feminina das Paralimpíadas de 2020, o Espírito Santo não tenha uma representante?”, profetizou.

“A a vida é muito curta para perdermos tempo com depressão em casa , desanimado. Sempre falo com meus sobrinhos. Na vida podemos ser o que quiser. Só depende de nós. Trace metas, faça objetivos e viva a vida!” (Foto: André Sobral)
“A a vida é muito curta para perdermos tempo com depressão em casa , desanimado. Sempre falo com meus sobrinhos. Na vida podemos ser o que quiser. Só depende de nós. Trace metas, faça objetivos e viva a vida!” (Foto: André Sobral)

Agora Eloisa treina para a próxima competição nacional, em julho. Ela vai começar os treinos para competir em mais uma prova: a pistola de calibre 22, distância 25m, para ter mais chances de medalhas e visibilidade. A atleta espera também por patrocínio. “O tiro é um esporte muito caro. Se estamos aqui, devo aos técnicos Mário Pinheiro e Léo Carvalho. Eles perceberam que eu e Bruno temos talento e potencial”, disse.

Bruno Sotv (carabina de ar –  arma longa)

(Foto: André Sobral)
(Foto: André Sobral)

Bruno tem 30 anos, é casado, tem um filho e assim como Eloisa, foi “descoberto” e convidado a praticar tiro esportivo. “Eu já atirava em casa com arma de pressão. Foi quando me chamaram para o tiro esportivo. Fui, conheci e me apaixonei. Logo na primeira semana fui convidado para uma competição. Fiquei em quinto lugar competindo com atiradores de primeira, com armas modernas e tudo. Voltei agora de Brasília com minha primeira medalha de bronze, a qual dediquei ao meu filho de um ano e quatro meses.”

Bruno conta que compete ao lado de atletas como Rodrigo Dias e Alexandre Galgani. “ O interessante é que eles não são adversários e sim, parceiros. Me dão toques, dicas e contribuem muito para o treinamento. Quando um atleta novato alcança um bom resultado, eles são os primeiros a parabenizar”.

Bruno exibe sua primeira medalha. (Foto: André Sobral)
Bruno exibe sua primeira medalha. (Foto: André Sobral)

O grande sonho de Bruno não é diferente: ele quer melhorar cada vez mais, superar desafios e chegar na seleção brasileira e defender as cores do Brasil em grandes competições como o Mundial e Paralimpíadas. Sobre as mudanças na sua vida, desde a descoberta do esporte, ele fala. “Eu já nasci nessas condições e posso dizer que tenho uma visão diferente das demais pessoas desde cedo. E o  tiro veio para ajudar na concentração e no  psicológico”.

Para os cadeirantes  o atleta dá dicas: “Às vezes você está em casa naquele desânimo, para baixo. Não pode deixar isso acontecer. A pessoa tem que querer e fazer. O resto é consequência. “, finalizou.


 

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