Skate: jovem Marcelinho de olhos abertos na Olimpíada de Tóquio 2020

Pense em um garoto talentoso e que tem no skate sua maior paixão. Esse é Marcelo Damazio, o “Marcelinho”, uma fera do skate street capixaba. Aos 14 anos de idade, o estudante do 8º ano de uma escola de Vila Velha treina todos os dias na pista do Tancredão e na área de skate em Camburi já sonhando alto: ele quer representar o Espírito Santo e o Brasil nos Jogos Olímpicos de Tóquio, no Japão, em 2020. E ele tem bagagem para isso: quebrou recordes, destacou-se e é um skatista respeitado aqui e lá fora.

Marcelinho sabe que o caminho para ser atleta olímpico não é fácil. Por conta disso, ele já começou a trabalhar no novo ciclo, comemorando a inclusão do skate no programa olímpico.

O jovem atleta já coleciona muitos títulos e tem feito história no skate do Espírito Santo, sendo o mais jovem capixaba a conquistar um título nacional. Ao falar do skate, Marcelinho é taxativo: “É paixão. Quero fazer um ‘rolê’ até o último dia da minha vida. Quero ser profissional”, disse ele, que estuda durante o dia e à noite treina em Camburi ou no Tancredão  e que tem os skatistas Luan de Oliveira, Kelvin Hoefler e Felipe Gustavo como referências.

Entrevista e Fotos com Marcelo Damazio para a Secretaria de Esportes da Prefeitura de Vitória
Foto: Léo Silveira

Pai, técnico, amigo, empresário e torcedor

O técnico em edificações Marcelo Paulino tem várias funções com o filho que vão além do exercício de ser pai. “Ele sempre teve muita energia. Tentamos bola, patins e bicicleta. Quando ele andava de patins e bike, viu uma molecada andando de skate, gostou e não parou mais. Logo vimos que ele tinha talento. Às vezes, fica um mês sem andar e, quando volta, parece que não ficou tanto tempo parado. Ele é de assustar nesse quesito talento. Ele estuda de manhã, chego do trabalho à noite e trago ele para cá (Tancredão). É assim, na correria. Esse moleque é minha vida”.

Depois de identificado o talento no esporte, os pais decidiram embarcar no sonho do fillho. Agora, com a inserção do skate no programa olímpico, o trabalho começou. “Já começamos a rabiscar essa meta quando saiu o resultado. Para ele aparecer e se destacar e ser um dos representantes do Brasil nos Jogos Olímpicos, ele tem que ir para fora. Atualmente, estamos participando de etapas europeias e, ano que vem, vamos tentar ir para as etapas americanas”, contou o pai, que diz que, por enquanto, as viagens são custeadas por ele próprio e pela esposa.

Marcelo Damazio - Street Skate Capixaba
Foto: Léo Silveira

Bolsa Atleta

Agora com 14 anos, ele já pode brigar pelo benefício do Bolsa Atleta Municipal. “Teremos o respaldo da Secretaria de Esportes de Vitória. Será uma força grande, ainda mais agora que virou esporte olímpico”.

Marcelo Damazio - Street Skate Capixaba
Foto: Léo Silveira

Reconhecimento e respeito lá fora

Mesmo com pouca idade, Marcelo conta que o talento de Marcelinho já é reconhecido fora do País. “Eles ficam assustados com o talento dele. Marcelinho é muito maduro em competições. Na Espanha, fiquei admirado. Quando ele chegou ao Village Skate, todos levantaram para cumprimentá-lo: juiz, atleta e coordenadores. Este ano a recepção foi maravilhosa. No evento ‘O Marisquiño’, open profissional amador,  ele ficou em nono lugar”.

Graças à conquista, o capixaba já está confirmado para disputar as três etapas europeias. “Agora estamos correndo atrás para participar do circuito americano de skate, que é top dos tops. Se um atleta do nível do meu filho participar e realizar uma boa competição, está feito. Grandes marcas patrocinam aquela competição”.

Marcelo Damazio - Street Skate Capixaba
Foto: Léo Silveira

Amor de mãe

“Meu filho começou no skate por volta dos 6 anos. Viu uma galera andando, gostou e vem desenvolvendo. Começamos a incentivar, levando ele para competir no Brasil e lá fora. Em 2014, competiu no Mundial, onde ficou em 28º, foi vice-campeão brasileiro aos 10 anos e campeão aos 12, entre outros títulos. Ele é o amor da minha vida”, disse a mãe, Sandra Damazio.

Quando perguntado se estará em Tóquio 2020, Marcelinho diz: “Se Deus quiser, estarei lá. Estou treinando umas quatro horas por dia e estou em busca de patrocínio para o ciclo. Tento conciliar com os estudos. Tem muita gente treinando e, para isso, tenho que batalhar muito, e tenho pais maravilhosos me ajudando”, finalizou.

Rumo a Tóquio

Este ano tem sido um ano bom para o garoto. Das cinco etapas do ‘Skate Religion”, competição que acontece aqui no Estado, o atleta faturou as quatro primeiras e, recentemente, ficou em nono lugar em uma competição na Espanha, o ”Marisquiño ‘ que contou com quase 150 skatistas. A fera do street capixaba ainda vai competir o campeonato carioca, em setembro e o Circuito Reis do Palco, em outubro, aqui no Estado.

Apesar de ser amador, Marcelinho participou de eventos abertos, o que o permitiu dividir a pista de competição ao lado de grandes nomes do skateboard mundial, como Luan de Oliveira, Dave Bachinsky, Tommy Fynn, Alex Miurov, Danilo Cerezini, dentre outros.

Marcelinho é tão fera que já faturou a primeira etapa do Estadual em uma categoria que não é a dele, a amadora, com skatistas mais velhos. Esse é só início de uma bela trajetória de quem dorme sonhando em ser campeão olímpico e acorda para estudar, treinar e realizar esse sonho.

 

Foto: Léo Silveira
Foto: Léo Silveira


 

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