
O delegado de Polícia Civil do Espírito Santo Alexandre Campos, faixa preta de jiu-jítsu, conquistou o título do Campeonato Europeu da Federação Internacional de Jiu-Jitsu Brasileiro (IBJJF), realizado em Portugal, neste mês de janeiro.
Conhecido como “Delega”, ele foi campeão na categoria master 3 faixa preta super-pesado (até 100,5 kg). A competição é considerada um dos quatro Grand Slams da modalidade, ao lado do Mundial, do Pan-Americano e do Brasileiro da IBJJF.
Esse título me dá ainda mais ânimo para seguir buscando meus sonhos como atleta. Esse título foi programado na minha mente. A única coisa que aconteceu foi eu riscar mais um sonho da minha lista.”
Alexandre Campos
Alexandre Campos é de Manaus (AM), mas é delegado da Polícia Civil do Espírito Santo desde 2017. Atualmente, ele é titular da Central de Teleflagrante. Lutador de de jiu-jítsu desde os 16 anos, ele é faixa preta há mais de 15 anos.
Em 2022, ele foi medalhisa de prata no Mundial em Abu Dhabi. Em 2023, conquistou o terceiro lugar na categoria faixa preta master/superpesado e na categoria absoluto. Em 2024, garantiu o bronze em Las Vegas, totalizando quatro medalhas em Mundiais na categoria master. Agora, se sagrou o grande campeão na Europa.
Final dura contra outro medalhista mundial
O “Delega” precisou enfrentar uma final duríssima contra outro medalhista mundial, Michael Joseph Kingrey Jr.

Ele estava muito bem-preparado. Foi a luta mais dura do campeonato. Consegui segurar o ímpeto dele. Olhei e pensei: ‘esse gringo não vai tirar meu sonho e meu título. Explodi, usei toda minha força e consegui uma vantagem mínima. Foi o suficiente para administrar o resultado.”
O atleta revelou sua paixão pelo jiu-jítsu, dizendo ser “viciado” no esporte. Ele treina na Academia do Nado e contou com preparação física especial para o torneio, com treinos inclusive aos finais de semana.
Arte marcial como aliada da segurança pública
Alexandre Campos concilia a carreira de delegado com a de atleta e comenta sobre a união das duas funções. Ele acredita que o ensino das artes marciais nas forças de segurança deveria ser um projeto do governo.
Os policiais precisam de treinamento específico diário. Poucas horas na academia de polícia não os preparam para as situações do dia a dia. Se o governo precisar, me coloco à disposição para dar aulas e contribuir para melhorar a atividade policial”
Delega também enfrentou o desafio de ficar longe da família. Para ele, este é o maior desafio porque a família lhe dá paz para focar, mas entende que o sacrifício faz parte da modalidade. “Os melhores estão vivendo fora do Brasil. Se você quer ser o melhor, precisa lutar os campeonatos internacionais.”